Como o Brasil transformou sustentabilidade em desenvolvimento
O Brasil tem uma das mais abrangentes estruturas ambientais do mundo, que ampliou a responsabilidade de governos, empresas e cidadãos na gestão dos recursos

Durante décadas, a proteção ambiental foi vista como um obstáculo ao crescimento econômico. Nos anos 1970 e 1980, as prioridades eram a expansão da infraestrutura, a urbanização e a industrialização. Desde a Constituição de 1988, o meio ambiente passou a ser reconhecido como um direito fundamental, uma nova fase em que desenvolvimento e sustentabilidade deixaram de ser conceitos opostos para se tornarem complementares.
O Brasil consolidou uma das mais abrangentes estruturas ambientais do mundo, como a Política Nacional do Meio Ambiente, o licenciamento ambiental, a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Novo Marco do Saneamento, que ampliaram a responsabilidade de governos, empresas e cidadãos na gestão dos recursos naturais influenciando investimentos e o planejamento urbano.
Alcançou diretamente a construção civil. Tradicionalmente associada ao elevado consumo de recursos naturais, a atividade incorporou práticas voltadas à eficiência energética, ao uso racional da água, à gestão de resíduos, à economia circular e à redução das emissões de carbono.
Segundo a CBIC, a ESG e a economia de baixo carbono tornaram-se fatores estratégicos para a competitividade do setor, dando o acesso ao crédito, atraindo investimentos e valorizando os empreendimentos.
O Sinduscon-SP, via Comitê de Meio Ambiente (Comasp), atua há mais de 25 anos como referência técnica, participa da formulação de normas, do aperfeiçoamento da legislação ambiental e do desenvolvimento de ferramentas voltadas à mensuração do desempenho ambiental das edificações.
A CECarbon — Calculadora de Consumo Energético e Emissões de Carbono na Construção Civil tornou-se o maior banco de dados nacional de emissões de gases de efeito estufa em edificações e selecionada como case para apresentação na COP30, em Belém.
Dados divulgados em 2026 indicam emissão média de 0,22 tonelada de CO₂ equivalente por metro quadrado construído. Estudos internacionais apontam índices entre 0,43 e 0,82 tCO₂e/m² em edificações europeias. O desempenho brasileiro reflete fatores como a matriz energética nacional, os materiais empregados e as soluções construtivas adotadas.
A entidade também lançou a CEHídrica, para medição da eficiência hídrica das edificações, e desenvolve a Plataforma Construção Sustentável, com indicadores de carbono, energia, água e gestão de recursos. Os programas de logística reversa permitem que canteiros de obra destinem mais de 90% dos resíduos para reciclagem.
Em 9 de junho, Rio Preto sediará o Seminário de Meio Ambiente Aplicado à Construção Civil, promovido pela Regional do SindusCon-SP. Especialistas debaterão temas como licenciamento ambiental, gestão de áreas contaminadas, geotecnologias, urbanismo sustentável, qualidade da água e gestão de resíduos alinhada a agenda 2030 da ONU.
O evento simboliza uma mudança de paradigmas, vai mostrar que o meio ambiente influencia diretamente a forma como as cidades são planejadas e os empreendimentos são financiados. Os desafios permanecem, mas os avanços demonstram que crescimento econômico e preservação ambiental caminham, cada vez mais, na mesma direção.
Rafael Luis Coelho
Diretor Regional do SindusCon-SP e da Citz Desenvolvimento Imobiliário