CONJUNTURA

Como a Taxa Selic é formada

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para as outras taxas de juros do mercado financeiro

por Hipólito Martins Filho
Publicado há 3 horasAtualizado há 3 horas
Hipólito Martins Filho (Hipólito Martins Filho)
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O Banco Central reduziu a Selic (taxa básica de juros) em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Apesar da guerra no Irã, os juros caíram um pouco, mas o Copom (Comitê de Política Monetária) não antecipou o que acontecerá na próxima reunião, deixando a decisão em aberto, citando “forte aumento da incerteza”.

A mudança na expectativa mexeu com o mercado, provocando altas na curva de juros futuros. O Fed (Federal Reserve, o Banco Central americano) decidiu manter os juros entre 3,5% e 3,75% ao ano, pela segunda reunião consecutiva. A diferença entre os juros dos EUA e do Brasil está em 11 pontos percentuais.

É preciso cautela, olhar para os impactos futuros do conflito no Oriente Médio, principalmente os efeitos provocados sobre a cadeia global e os preços de commodities, evitando a escalada da inflação.

Este foi o primeiro corte da Selic em quase dois anos; a última queda foi registrada em maio de 2024. A pergunta é: como é formada a taxa Selic e quais consequências ela traz para a economia?

A Selic é a taxa básica de juros da economia e serve de referência para as outras taxas de juros do mercado financeiro. A sigla Selic é a abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia, uma plataforma para compras e vendas de títulos públicos federais.

A média dos juros pagos pelo governo a quem compra esses papéis forma a taxa Selic. Nas operações com prazo de um dia útil, a taxa Selic é a média dessas taxas de juros, expressa em porcentagem ao ano.

As instituições financeiras, como bancos e corretoras, realizam operações de compra e venda de títulos públicos entre si. Cada operação é realizada a uma taxa de juros acordada entre as partes. O Banco Central coleta essas taxas e calcula a média ponderada das taxas de juros praticadas.

Quando o Copom divulga a taxa Selic após uma reunião, ele está, na verdade, fixando uma meta para as futuras compras e vendas dos títulos. A taxa básica de juros é considerada a principal forma de controlar a inflação, porque afeta as demais taxas de juros e, portanto, eleva ou reduz a facilidade para fazer empréstimos, consumir e investir.

O efeito sobre a inflação, porém, não é imediato: pode levar de seis a oito meses para se traduzir em maior ou menor atividade da economia e, portanto, afetar a inflação.

A fixação da taxa Selic é realizada pelo Copom, comitê formado pelo presidente do Banco Central e mais oito diretores do banco. Além da inflação, pode afetar indicadores como emprego e desemprego, atividade econômica e índices de produtividade da economia.

Fatores externos, como a taxa de juros do governo americano, a tendência da cotação do dólar, os preços de commodities (mercadorias) e o petróleo, também podem afetar a decisão.

Essa taxa afeta as contas públicas brasileiras, pois os juros pagos pelo governo aos investidores que compram um título público representam, na prática, um empréstimo ao governo. Se a Selic está em alta, o valor devido pelo governo a seus credores cresce.

Para as pessoas comuns, o efeito imediato aparece nas taxas de juros cobradas em financiamentos, como a casa própria, o carro novo, o cartão de crédito e o crediário.

Em situações em que a Selic está alta, tomar dinheiro emprestado fica mais caro, porque os juros que os bancos pagam em transações entre si ficam mais caros, e as instituições financeiras repassam esse aumento ao consumidor comum.

Hoje, mais de 94% dos 8,7 milhões de empresas inadimplentes pertencem a micro, pequenas e médias empresas, segundo a Serasa.

A questão da taxa de juros não se resolverá com medidas pontuais. Os consumidores e as empresas estão inadimplentes em despesas correntes e operacionais; é necessário promover uma mudança estrutural.