Grupo de Edinho avalia saída dele do MDB para facilitar disputa na Câmara Federal
Núcleo duro do ex-prefeito, que se reuniu na última terça, defende busca de sigla com linha de corte mais baixa para a Câmara Federal

O ex-prefeito Edinho Araújo (MDB) reuniu na noite de terça-feira, 10, na sede do MDB de Rio Preto o seu grupo político mais íntimo. Na pauta, uma análise fria e pragmática sobre a participação dele no jogo eleitoral deste ano.
Com mais de meio século de vida pública nas costas, uma única eleição perdida (a primeira de todas, em Santa Fé do Sul), quatro vitórias na guerra pela Prefeitura de Rio Preto (duas no primeiro turno) e uma coleção de mandatos nos legislativos estadual e federal, Edinho é do tipo que não entra em campo “de bobeira”, só para ver no que vai dar.
São tantas as dúvidas reais do emedebista sobre quais os movimentos menos arriscados na atual e novíssima cena política local, que há algum tempo ele vem frequentando eventos, festas e confrarias com o único objetivo de sentir o pulso da disputa que vem aí.
Diante das impressões que o ex-prefeito farejou nestas andanças e das leituras dos edinistas presentes à reunião de terça, o grupo chegou a conclusões um tanto interessantes.
Antes de qualquer coisa, vale dizer que o núcleo duro de Edinho desenha 2026 pensando em... 2028. Do alto dos seus 76 anos, o ex-prefeito é visto pelos fiéis aliados com energia suficiente para um duelo direto com Coronel Fábio Candido (PL) na próxima eleição municipal.
Isso posto, o grupo concluiu que é preciso que o ex-prefeito mantenha-se em evidência no pleito deste ano, seja como candidato com chances reais de vitória, seja como “coordenador” regional de alguma candidatura majoritária imbatível.
Para os edinistas, se Edinho for para as urnas – e aí vem uma leitura que pode desencadear um movimento de fato surpreendente –, a permanência dele no MDB se torna inviável. Daí que o primeiro passo seria buscar uma legenda mais confortável para a acirrada disputa no horizonte.
E esta decisão é norteada por cálculos. No MDB, Edinho precisaria de ao menos 120 mil votos para brigar pela cadeira a federal, e entre 70 mil e 80 mil para chegar à Alesp.
O grupo concluiu que, embora com menor quantidade de votos, a candidatura a estadual deve ser descartada dado o congestionamento de pesos-pesados de Rio Preto neste tabuleiro, como os já deputados estaduais Valdomiro Lopes (PSB), Itamar Borges (MDB) e Danilo Campetti (Republicanos), mais o vereador João Paulo Rillo (PT).
Daí a opção para a disputa a federal, mas por um partido com condições de garantir a cadeira com menos votos que no MDB. “E não faltam legendas disponíveis para ele disputar”, disse uma fonte da Coluna. O União Brasil, por exemplo.
NOTAS
NUVEM 1
Parte do mesmo grupo que agora prega a candidatura de Edinho a deputado federal chegou a defender, até poucos meses atrás, que o ex-prefeito optasse pela disputa a estadual, ainda que batesse de frente com o correligionário Itamar Borges (MDB). A leitura, à época, era de que ele sairia de Rio Preto com pelo menos 50 mil votos e só precisaria arrancar outros 20 mil ou 30 mil na região.
NUVEM 2
Se calcada ou não em pesquisas internas ou se fruto apenas da expertise do núcleo duro de Edinho, ninguém mais aposta numa supervotação do ex-prefeito na cidade. Segundo fonte da Coluna, o novo entendimento é que ele ficou oito anos dedicado exclusivamente a Rio Preto, deixando a região em segundo plano. E, com
o congestionamento à Alesp, o número de votos a buscar fora ficaria num patamar muito acima do projetado lá atrás.
FAMÍLIA
Ainda sobre as muitas dúvidas de Edinho. Com exceção de Edinho Filho, presidente municipal do MDB, o restante da família – em especial a ex-primeira-dama Maria Elza – insiste para que o ex-prefeito se aposente em definitivo das urnas.
DE PARTIDA 1
Em entrevista ao portal O Antagonista, o deputado estadual Carlão Pignatari, de Votuporanga, confirmou que está a caminho do PSD. Ele disse ainda que as negociações se dão diretamente com o cacique nacional do partido, Gilberto Kassab. Por questão legal, a migração oficial se dará em março, com a abertura da janela da infidelidade partidária. No PSDB desde 1996, Carlão declarou que a mudança busca melhores condições eleitorais, sem rompimento com o pessoal do partido.
DE PARTIDA 2
A opção específica pelo PSD de Kassab se deve, segundo Pignatari, à estrutura do partido em São Paulo. Com críticas ao sistema proporcional que, na visão do deputado, distorce a representatividade, ele defendeu a adoção do voto distrital ou distrital misto. E também desancou o avanço de candidaturas ancoradas apenas em redes sociais “em detrimento da atuação municipalista”.
EM ANÁLISE
E se Carlão Pignatari só espera pela janela partidária para deixar o ninho tucano e abraçar o PSD, Coronel Helena, secretária estadual de Esportes e primeira suplente do Republicanos na Alesp, ainda não bate o martelo sobre o assunto. Helena admite conversações com Kassab também, diz acreditar que o PSD pode ser um caminho adequado para disputar as eleições em 2026 e que o partido apresentou a ela um caminho propositivo de futuro. No entanto, a secretária diz que anunciará em breve seu futuro.
EMPACOU 1
Na antevéspera da abertura do Carnaval do Coronel, no Recinto de Exposições, duas licitações vinculadas à Secretaria de Cultura com o objetivo de atender, dentre outras demandas, a folia de Momo deste ano ainda seguiam “emperradas” até o início da noite desta quarta-feira, 11. Uma delas prevê a contratação de 1,2 mil seguranças para eventos no município, com previsão de despesas de até R$ 336 mil em contrato que terá duração de doze meses.
EMPACOU 2
Outra concorrência, para contratação de empresa que irá fornecer serviços de carregadores, também não teve vencedor divulgado pelo Portal Compras da Prefeitura. Esse pregão estima despesas de até R$ 144 mil em contrato também de um ano. Segundo dados do site da Prefeitura, as duas licitações estão em fase de recurso, sendo que o início da disputa por lances foi marcado para segunda, 9. Ao que consta, o secretário de Cultura, Robson Vicente, corre contra o tempo para resolver a encrenca das contratações. A assessoria da Prefeitura não respondeu questionamentos sobre os processos empacados.
Sob novo comando...

Sócio da Topaz Consórcio, João Paulo Rodrigues (foto) foi eleito o novo presidente da Apeti. A entidade, que congrega profissionais de tecnologia da informação, entrou na mira de interesse da fauna política local por motivos óbvios: o protagonismo que vem ganhando com o avanço do setor de tecnologia e a capilaridade de seus filiados. Também empresário e CEO da Field Control, Eduardo Santos é o novo vice. Os dois são apontados internamente “como jovens talentos formados pela Fatec que forjaram suas carreiras empreendendo no setor”. A eleição da nova diretoria ocorreu na última terça-feira. A gestão recém-eleita promete fortalecer o Rio Preto Tech Summit e ampliar apoio às empresas de tecnologia. “Nosso compromisso é contribuir para que essas empresas cresçam de forma consistente, ampliem seus resultados e se tornem cada vez mais competitivas. Ao mesmo tempo, trabalharemos para incentivar o surgimento de novas empresas e de novos talentos", diz Rodrigues.