EDITORIAL

Chega de negligência

Placas insuficientes, sinalização confusa ou mal posicionada e ausência de alertas claros transformam o trecho em obras na Washington Luís em armadilha

por Da Redação
Publicação em 02/04/2026
Editorial (Divulgação)
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As obras de ampliação da rodovia Washington Luís, no trecho entre Rio Preto e Mirassol, representam um investimento necessário e estratégico para a mobilidade regional. Trata-se de uma via vital para o escoamento de produção, deslocamento de trabalhadores e integração econômica. A implantação da terceira faixa atende a uma demanda antiga e urgente, diante do crescimento do fluxo de veículos nos últimos anos. Não há como negar: a obra é importante e precisa acontecer.

No entanto, toda intervenção dessa magnitude inevitavelmente traz transtornos. Lentidão, desvios e alterações no tráfego fazem parte do processo e exigem paciência dos motoristas. É um desconforto temporário em nome de um benefício permanente.

O que não pode ser tratado como parte natural da obra, porém, é a precariedade da sinalização e a negligência com a segurança. Não se admite que motoristas sejam expostos a riscos evitáveis por falhas básicas de orientação na pista. Placas insuficientes, sinalização confusa ou mal posicionada e ausência de alertas claros transformam o trecho em uma armadilha, até mesmo para quem o percorre com frequência.

As consequências dessa falta de cuidado já são trágicas. Um motorista de carro de passeio perdeu a vida ao ser prensado entre dois caminhões, em um acidente brutal que escancara a vulnerabilidade de quem transita pelo local. Mais recentemente, na baixada do viaduto 444, uma carreta sem freios provocou um engavetamento envolvendo mais de dez veículos, ampliando a sensação de insegurança e revolta entre os usuários da rodovia.

Não se trata apenas de fatalidades inevitáveis. Acidentes dessa gravidade, em sequência, indicam falhas que precisam ser corrigidas com urgência. A responsabilidade pela obra vai além da execução física: inclui garantir condições seguras de tráfego durante todas as etapas. Isso exige fiscalização rigorosa, revisão constante da sinalização e medidas preventivas eficazes.

É fundamental que as autoridades, os agentes de segurança e a concessionária da rodovia compreendam que vidas estão em jogo diariamente. Não basta cumprir cronogramas ou avançar com máquinas e operários se a insegurança faz o papel de protagonista. O progresso não pode ser construído à custa de imprudência ou descaso.