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ARTIGO

Chega de festa!

por João Santa Terra Júnior
Publicado em 19/07/2026 às 00:31
João Santa Terra Júnior (Divulgação)
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João Santa Terra Júnior (Divulgação)
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A melancólica eliminação da seleção brasileira nas oitavas de final da Copa do Mundo, derrotada pela Noruega e amargando um frustrante 11º lugar, marca o fim de mais uma ilusão coletiva. A festa terminou, as bandeiras foram recolhidas e o “pão e circo” que anestesiava a nação chegou ao fim. O Brasil, infelizmente, é o país das pausas. Paramos para o Carnaval, paramos para a Copa e, em breve, pararemos mais uma vez para as eleições que se avizinham. Serão três grandes interrupções em um único ano, enquanto a montanha de problemas nacionais continua a crescer.

Quando o apito final soa e a realidade bate à porta, o cenário que encontramos é desolador. Na economia, caminhamos à beira do abismo com uma dívida pública explosiva, que ultrapassou 81% do PIB e segue em trajetória ascendente, no pior cenário fiscal em anos. Como se não bastasse a nossa própria desorganização interna, fomos duramente golpeados por um tarifaço americano de 25% sobre produtos brasileiros, um revés brutal que ameaça bilhões de dólares em exportações. Tudo isso em meio a uma inflação resistente que corrói o poder de compra do trabalhador e juros estratosféricos que asfixiam quem produz.

Na esfera política, o espetáculo é ainda mais deprimente. Vivemos uma profunda crise de representatividade, afogados em uma polarização estéril que cega o debate público. O populismo barato tomou o lugar da responsabilidade, evidenciando a trágica ausência de projetos de Estado. O que vemos são apenas projetos de poder, planos de governo de curto prazo e promessas eleitoreiras vazias reafirmadas cinicamente a cada novo ciclo de votação.

O reflexo desse abandono institucional explode diariamente na nossa face sob a forma de chagas sociais profundas. A insegurança pública tornou-se a regra, com facções criminosas dominando territórios inteiros e impondo um Estado paralelo diante da inércia oficial. A covarde violência contra a mulher segue fazendo vítimas em proporções epidêmicas. Nossas crianças e jovens amargam uma educação precária que lhes rouba o futuro, enquanto a saúde pública, cronicamente colapsada, condena milhares de cidadãos a um sofrimento indigno em corredores de hospitais.

Nós, brasileiros, precisamos urgentemente direcionar ao Estado a mesma paixão e o mesmo rigor de cobrança que dedicamos à pífia seleção canarinho. Não podemos mais aceitar que o nosso país só “funcione” no efêmero intervalo entre uma festa e outra. Chegou a hora de cobrar resultados concretos e táticas eficientes — não do técnico de futebol, mas, dos governantes que seguram as rédeas do nosso destino. Que as eleições que se aproximam sejam, de fato, um momento de profunda reflexão e de mudança de postura, e não apenas mais uma festa vazia em um país que sangra.

João Santa Terra Júnior
Professor Acadêmico e Promotor de Justiça.