Seta

A bela crônica (sou leitor habitual) do dr. Toufic, em homenagem a Rio Preto, tocou num ponto que já havia me chamado a atenção. Faz referência bem-humorada à "aversão" dos motoristas de Rio Preto em usar o sinal de seta.
Embora não rio-pretense nato, foi aqui que eu e os meus familiares criamos raízes. De fato, ainda adolescente, percebi que o sinal de seta no trânsito em Rio Preto era apenas um equipamento de decoração para muitos. Três episódios posteriores me levaram a relembrar esse tema.
Certa vez, numa conversa informal, esperando o mesmo avião, um engenheiro de uma empresa que prestava serviços na região, ao saber que era de Rio Preto, me fez rindo a seguinte pergunta: "Vocês continuam com bronca contra o sinal de seta?" Surpreso, também ri e disse que sim.
Anos depois, num restaurante em São Carlos, ao lado da rodovia, um engenheiro mecânico de uma multinacional de veículos, com parentes em Rio Preto, fez troça sobre essa nossa característica. Afirmou que os carros seriam vendidos aqui sem sinal de seta.
O último episódio me ocorreu no ano passado. Revi, com prazer, um antigo funcionário. Jovem, 19 anos na época, vivia a incerteza de muitos de sua idade: que carreira seguir? Sua paixão, adiantou-me, era a aviação. Revendo-o, soube por ele que era comandante de linhas para as principais cidades da Europa.
Ele me contou uma historinha, pura ficção, claro, mas emblemática. De repente, o avião perdeu todo o seu aparato eletrônico. O aeroporto também. Como saber se estava pousando no aeroporto da cidade certa? Era de noite, nada de luz. Com timidez e humildade, o jovem copiloto pediu licença para dar a sua opinião: "O senhor me autoriza a dar uma volta, pequena, em torno da cidade e talvez possa dizer onde estamos, com certeza?". Sem muita convicção, o comandante assentiu.
Deram a volta em torno da cidade, e o jovem copiloto disse peremptoriamente: "É esse o nosso destino mesmo. Podemos descer". Pousaram. Depois de tudo, tomando o café no bar do aeroporto, aliviados, o comandante não se conteve: "Por que acertou que era o aeroporto com tanta firmeza?". O jovem piloto respondeu: "Comandante, olhei o trânsito da cidade. Não vi um sinal de seta dos veículos. Portanto, tive a certeza de que estávamos na cidade certa. Rio Preto, sem dúvida."
Luiz Melo, Rio Preto
Despedida
Sobre a notícia "Rio-pretense Carol Gattaz, lenda do vôlei brasileiro, anuncia aposentadoria", parabéns pelos 29 anos de entrega no mundo todo, jogando, ganhando, vencendo! Você brilhou nesse período. Agora é descanso merecido!
Eliner Sobrinho Silva Doria, via Instagram