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Radar

por Da Redação
Publicado há 2 horas
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O DER/SP colocou um radar em plena Rodovia Assis Chateaubriand-SP 425 KM 160 + 949 metros (local ermo que não é próximo da entrada ao município de Guapiaçu que justificasse tal medida), portanto, uma verdadeira fábrica de multas.

Assim sendo, peço providências do Ministério Público sobre esse abuso, ao tempo em que previno a quem transitar pela citada rodovia.

José Rodrigues Imperador, Rio Preto

Pesquisas

Toda eleição segue o mesmo roteiro. Antes de se discutir proposta, preparo ou caráter, entram em cena os números. Pesquisas aparecem travestidas de neutralidade, como se fossem mera fotografia do momento. Não são. Ao serem divulgadas, passam a interferir diretamente no processo, influenciando conversas, empurrando alianças, direcionando recursos e condicionando a cobertura da mídia.

O efeito é claro. O eleitor deixa de perguntar “quem é o mais preparado?” e começa a pensar “quem tem chance?”. O voto deixa de ser escolha e vira cálculo. Surge o eleitor maria-vai-com-as-outras, decidindo não por convicção, mas por preguiça, omissão ou receio de “perder o voto”, de ficar fora do grupo vencedor. O comportamento de manada passa a parecer prudência e o conformismo vai se disfarçando de estratégia.

A velha desculpa da “curiosidade” não se sustenta. Basta sair uma pesquisa para candidatos serem carimbados como viáveis ou inviáveis. Bons nomes são descartados cedo, não por falhas reais, mas por estarem mal posicionados em gráficos. O voto útil vira justificativa confortável, transferindo a responsabilidade individual para a lógica das porcentagens. Quem se beneficia são os mesmos de sempre: quem já tem estrutura, dinheiro e visibilidade.

Há ainda a contradição evidente: durante meses, pesquisas são divulgadas livremente; na reta final, sua divulgação é proibida. Se fossem apenas informação neutra, por que silenciá-las justamente quando a decisão se aproxima? A própria regra reconhece o poder de interferência. A sociedade percebe, mas prefere não encarar.

Reclama-se da política, falando em mudança e renovação, enquanto se alimenta o mecanismo que empobrece o debate. Compartilhar, comentar e tratar pesquisa como bússola é fazer gol contra - contra si mesmo e contra o país.

Democracia exige responsabilidade. E nenhum time vence insistindo ou aceitando em jogar contra si. Você precisa delas? Eu, não.

Ailton Marques, Rio Preto