Permissividade

O Brasil não cresce pouco por falta de recursos, talento ou oportunidades. Cresce pouco porque errar não custa caro para quem manda. Somos um país onde a irresponsabilidade fiscal é recorrente, a corrupção é cíclica e a punição é eventual — um ambiente clássico de incentivos perversos.
Enquanto o cidadão paga impostos elevados, enfrenta juros altos e convive com serviços públicos precários, o topo do poder opera sob um regime informal de indulgência. A mensagem implícita é simples: o erro compensa, desde que praticado no lugar certo.
Não faltam leis no Brasil. Falta consequência. A impunidade não é apenas um problema moral; é um entrave econômico.
Países prosperam quando protegem contratos, punem desvios e oferecem previsibilidade. Onde a lei é seletiva, o capital se retrai e o desperdício se normaliza.
Outro mito persistente é o do Estado salvador. O país já gasta muito — e gasta mal. Com o orçamento amplamente engessado por despesas obrigatórias, o investimento produtivo virou exceção e o planejamento, retórica.
Nenhuma nação saiu da estagnação sem enfrentar interesses organizados. Tentar crescer sem conflito é, na prática, escolher não crescer.
No fim, não é a falta de dinheiro que impede o avanço. É a tolerância com quem erra e nunca paga a conta.
Walter Henrique Bernardelli, Rio Preto
Eleição 2026
Lendo as cartas, tive uma certeza: o Descondenado não irá participar das eleições de 2026. Com a economia ladeira abaixo, com juros estratosféricos, com o governo colecionando escândalos de corrupção, com o governo sendo avaliado como ruim ou péssimo por grande parte da população, com o TSE deixando de ser comandado pelos seus comparsas e com o crescimento do Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais, o Descondenado arrumou um jeito de sair de cena sem manchar a sua imagem com uma derrota vergonhosa para um Bolsonaro.
A jogada foi ser homenageado por uma escola de samba numa clara e vergonhosa campanha política antecipada que com certeza o levará à inelegibilidade, já que Bolsonaro se tornou inelegível apenas por se reunir com embaixadores e discursar no 7 de setembro. Se isso não acontecer, será mais uma prova do golpe sofrido pelo Bolsonaro em 2022. Assim, após a sua inelegibilidade, o mentiroso mor poderá alegar perseguição política para não participar da eleição e assim sair por cima.
Jogada de mestre, porque senão seria rebaixado como aconteceu com a sua escola de samba.
Miguel Freddi, Rio Preto