Iceberg

Estamos novamente na época em que políticos, vereadores e prefeitos percorrem ruas, bairros e redes sociais em busca do voto do cidadão. Prometem ser os melhores, resolver todos os problemas e, naturalmente, apresentam-se como honestos, preparados e comprometidos com o interesse público.
Mas será que conhecemos realmente a dimensão da corrupção no Brasil? Tenho a impressão de que aquilo que veio a público é apenas a ponta do iceberg: as falcatruas que deram errado, foram descobertas e chegaram às investigações. A parte submersa, formada por aquilo que deu certo e continua dando certo, provavelmente jamais conheceremos.
Ainda existem muitas questões que merecem esclarecimento: Lava Jato, delações de Palocci, relações com empreiteiras e sindicatos, casos envolvendo Temer e a família Bolsonaro, suspeitas sobre tentativas de golpe militar, rachadinhas, nepotismo, a influência dos donos dos partidos políticos e a utilização sem critério das emendas parlamentares. A lista parece interminável.
O problema, a meu ver, é maior do que a corrupção de indivíduos. O Estado brasileiro parece ter desenvolvido mecanismos que favorecem privilégios, corporativismo e falta de transparência nos três níveis da Federação. E há também uma parcela de responsabilidade da própria sociedade, muitas vezes acomodada, desinteressada ou disposta a trocar cidadania por algum benefício imediato.
Em São José do Rio Preto, temos exemplos recentes que merecem reflexão. O aumento do valor venal dos imóveis trouxe consequências para o IPTU e outros tributos. Vereadores também aprovaram aumentos expressivos nos próprios salários e ampliaram o número de cadeiras da Câmara. São decisões que geram despesas permanentes. E quem paga essa conta? O cidadão.
Por isso, antes de votar, vale olhar para trás, analisar o que foi feito e perguntar: quem realmente trabalhou pelo interesse público? Pense bem. O voto é seu, mas as consequências permanecem para todos.
Walter Henrique Bernardelli, Rio Preto