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Guernica

por Da Redação
Publicado há 3 horas
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Excelente artigo de autoria da dra. Regina Chueire, publicado pelo Diário na edição de 3/2/2026, ao tratar da célebre pintura Guernica, de Pablo Picasso, uma das mais contundentes denúncias visuais contra a guerra já produzidas.

Tive a oportunidade de visitar o Museu Reina Sofía, em Madri, e permanecer diante daquele imenso painel. A experiência é impactante. Diante da obra, compreende-se que Guernica não foi feita para agradar, mas para confrontar. O próprio guia do museu destacou aspectos essenciais de sua história, começando pelo fato de que a pintura não foi realizada na Espanha, mas em Paris, onde Picasso vivia exilado durante a Guerra Civil Espanhola.

Picasso não pretendia inicialmente pintar Guernica. Sua decisão mudou radicalmente após tomar conhecimento, pelos jornais, do bombardeio da cidade basca de Guernica, ocorrido em 26 de abril de 1937, pela Legião Condor da Luftwaffe nazista, a pedido do “generalíssimo” fascista, Francisco Franco, em apoio à facção nacionalista espanhola.

Guernica não era fortaleza militar, não possuía quartéis, não concentrava tropas nem representava alvo estratégico clássico. Tratava-se de uma cidade, atacada em dia de feira, cheia de moradores indefesos. O bombardeio teve motivações políticas, psicológicas e simbólicas: aterrorizar a população, quebrar o moral do povo basco e demonstrar o poder da aviação moderna nazista.

A opção de Picasso por tons de preto, branco e cinza não foi estética, mas ética. Picasso mostrou também sua estatura humanista durante a ocupação nazista da França, quando oficiais alemães, ao verem uma fotografia do painel, perguntaram-lhe: “Foi você que fez isso?” A resposta foi direta e definitiva: “Não. Foram vocês.” A obra não grita, não argumenta - apenas atribui responsabilidade.

Parabenizo a dra. Regina Chueire pelo artigo esclarecedor, que nos convida a refletir sobre os conflitos armados do passado e do presente, lembrando que, enquanto civis continuarem sendo tratados como danos colaterais, Guernica permanecerá atual.

José Carlos Aguiar Buchala, Rio Preto

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