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por Da Redação
Publicado há 8 horas
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Nos últimos dias, alguns fatos ligados ao judiciário têm tornado muito interessante a evolução da história do Brasil, dos políticos de ocasião e da república. As ruas continuam cheias de gente dormindo pelas calçadas. Os tributos aumentam e continuam aumentando.

As notícias não são otimistas. A violência está se estabelecendo com plena vantagem sobre o mundo da licitude. As instituições hibernam, em um sono profundo de encantamento principesco e prêmios carnavalescos aos seus membros. A única certeza é que Garrincha continua mais atual do que nunca, especialmente na república dos acordos e conchavos.

A lenda diz que, na preleção para o jogo do Brasil contra a União Soviética na Copa de 1958, o técnico Vicente Feola emendou uma interminável série de recomendações sobre quem marcava quem, quem recuava para que o outro avançasse, quem cruzava, quem recebia, etc. Na prancheta, tudo parecia solucionado. Foi quando Garrincha, com seu jeito de ingênua malandragem, teria feito a pergunta que virou lenda: “O senhor combinou com os russos?”.

Dito e feito, alguém combinou com a imprensa? Tudo parecia um campeonato perfeito e ganhos, mas tem aqueles telefones celulares, aqueles números, aquele jagunço e o dinheiro. A origem portuguesa e a tradição da burocracia francesa e da corrupção italiana, sempre seremos latinos. Seguimos os dias e esperando pelos próximos carnavais.

Carlos Simão Nimer, Rio Preto

Responsabilidade

Denunciar a impunidade é fácil. Difícil é admitir que ela não se sustenta sozinha. O sistema brasileiro persiste porque milhões de cidadãos aprenderam a conviver com ele. Ainda assim, não haverá saída coletiva sem mudança individual.

Se quisermos que o país saia do impasse nos próximos anos, o cidadão precisa abandonar a posição confortável de espectador indignado e assumir papel ativo.

O primeiro passo é parar de terceirizar responsabilidades. Não existe salvador da pátria capaz de compensar uma sociedade tolerante com atalhos. O jeitinho cotidiano e a sonegação “justificada” alimentam o mesmo ecossistema que protege os grandes desvios.

O segundo passo é votar melhor — e cobrar sempre. Não se trata de ideologia, mas de critérios mínimos: compromisso fiscal, respeito institucional e rejeição a privilégios. Políticos mudam quando perdem votos, poder e orçamento.

O terceiro passo é defender instituições, não pessoas. Democracias funcionam quando regras valem mais que líderes. Imprensa livre, Judiciário previsível e estabilidade regulatória são pré-condições para investimento e crescimento.

Por fim, é preciso aceitar o custo da transição. Reformas doem, mas não existe crescimento sustentável sem desconforto inicial. O Brasil mudará quando normalizar o erro se tornar mais caro do que enfrentá-lo.

Walter H. Bernardelli, Rio Preto