ARTIGO

Avenida da Saudade

O histórico de Rio Preto está cheio de exemplos da destruição de patrimônios importantes

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado há 6 minutos
Laerte Teixeira da Costa (Divulgação)
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Laerte Teixeira da Costa (Divulgação)
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Milton Rodrigues dá outro e melhor significado à nossa Avenida da Saudade. Liga-a ao extinto Estádio Mário Alves Mendonça (MAM) e ao América F. C. (AFC). Saiu nova edição do livro “Avenida da Saudade. O América de Rio Preto na Era Pelé”. Revisada e ampliada, a reimpressão se justifica pela morte de Pelé em 2022.

No passado, essa bela avenida era conhecida por ser o derradeiro percurso de nossos mortos. Depois da Missa de Corpo Presente e Encomendação do Corpo na velha Catedral, caminhava-se até o Cemitério da Ressurreição. Costume que se perdeu pelo crescimento da cidade, número de habitantes e aumento diário de mortes. Há também outras causas.

Estive no MAM em 3 de agosto de 1958. Tinha 13 anos, morava em Mirassol e meu pai me trouxe para ver o primeiro jogo de Pelé na cidade. Frustrou-me o zero a zero. Quatro meses depois, em dezembro, meu pai faleceu. Em 1959, minha mãe e seus cinco filhos, eu o mais velho, nos mudamos para Rio Preto. Comecei outra história e espero ter dado conta.

O enredo do MAM esgotou-se no século 20. Chegou a ser propriedade do Município e a meta seria fazer de lá a Secretaria dos Esportes. Ideias não faltavam. Chegamos a discutir a construção de passagem (travessa) entre a Avenida América e a Rua Silva Jardim, preservando as arquibancadas laterais. Teríamos um espaço para desfiles e eventos. Faltou visão.

Discussão houve quando o MAM foi entregue à CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) para pagamento de dívidas. Não carecia. O argumento era “ninguém pode carregar um estádio”. Verdade. O tempo provou que há negócios que comportam a destruição de prédios antigos, estádios e clubes. O MAM, o Palestra e o Clube de Campo do Rio Preto Automóvel Clube deram lugar a outros empreendimentos.

O histórico de Rio Preto está cheio de exemplos da destruição de patrimônios importantes. Foi assim com o Plano Urbanístico de Ugolino Ugolini, com o Colégio Cardeal Leme, com a nossa primeira catedral, com antigas mansões de figuras ilustres. E fomos por aí ...

Se cavarmos mais fundo, veremos mais coisas. Mas não é esse o objetivo deste artigo. O objetivo é enaltecer a iniciativa desse bom jornalista rio-pretense, Milton Rodrigues. O livro do Miltinho estimula as recordações dos mais velhos e burila a imaginação dos mais jovens. Recomento.

Laerte Teixeira da Costa
Ex-vereador e vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores).