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RADAR ECONÔMICO

Avanço e desenvolvimento sustentável

por Luciano Impastaro
Publicado em 25/07/2026 às 15:46Atualizado em 25/07/2026 às 16:04
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Os números do mercado de trabalho de Rio Preto nos primeiros cinco meses de 2026 trazem uma sinalização positiva para a economia local. Entre janeiro e maio, o município registrou saldo de 3.306 novos postos formais, resultado 15,47% superior ao verificado no mesmo período de 2025, quando foram geradas 2.863 vagas. Em um ambiente econômico ainda marcado por custos operacionais crescentes e incertezas que afetam as decisões empresariais, ampliar a geração de empregos formais merece ser reconhecido.

Cada nova vaga representa renda circulando, consumo, arrecadação e maior segurança para as famílias. Também revela que parte significativa do setor produtivo continua investindo, contratando e acreditando no potencial da cidade. Entretanto, uma análise responsável não deve se limitar ao resultado geral. Os dados levantados pelo Centro de Estudos Econômicos da Acirp, com base nas informações do Caged, mostram comportamentos bastante diferentes entre os setores.

A construção civil apresentou o avanço mais expressivo. O saldo passou de 457 vagas nos cinco primeiros meses de 2025 para 1.467 no mesmo intervalo de 2026, uma expansão de 221,01%. A construção civil movimenta uma extensa cadeia de fornecedores e prestadores de serviços, envolvendo materiais de construção, transporte, engenharia, arquitetura, mercado imobiliário, comércio e diversas atividades especializadas. Sua expansão, portanto, tende a produzir efeitos que ultrapassam os limites do próprio setor.

O segmento de serviços também manteve posição de destaque. Foram criadas 1.949 vagas entre janeiro e maio de 2026, ante 1.588 no mesmo período do ano anterior, crescimento de 22,73%. Trata-se de um resultado coerente com a estrutura econômica de Rio Preto, cidade que exerce forte influência regional nas áreas de saúde, educação, tecnologia, logística, comércio especializado e prestação de serviços empresariais.

Construção e serviços responderam pelo avanço registrado no período e demonstram a capacidade de adaptação da economia rio-pretense. Ao mesmo tempo, a concentração do crescimento nesses dois setores exige atenção. Uma economia regional mais resistente depende de uma base produtiva diversificada, capaz de gerar oportunidades em diferentes atividades e níveis de qualificação.

Nesse aspecto, os resultados da indústria, do comércio e da agropecuária representam um sinal de alerta. A indústria encerrou o período com saldo positivo de 219 postos, mas apresentou queda de 54,18% em relação ao ano anterior. A agropecuária passou de um saldo positivo de 41 empregos para o fechamento de 29 postos. Já o comércio, que havia gerado 299 vagas em 2025, registrou saldo negativo de 300 postos em 2026.

Esses números não devem ser interpretados de forma isolada ou precipitada. O desempenho de cada setor pode ser influenciado por fatores sazonais, transformações tecnológicas, alterações no comportamento do consumidor, custos financeiros, tributação e mudanças nas empresas. Ainda assim, a retração evidencia a necessidade de compreender quais obstáculos estão limitando contratações.

O comércio, por exemplo, vive uma transformação profunda. A digitalização das vendas, a integração entre canais físicos e digitais e o uso crescente de tecnologia estão modificando funções e processos. Na indústria, o desafio envolve ampliar a competitividade, estimular a inovação, melhorar a infraestrutura e criar condições para aumento de produção.

O cenário também reforça a importância da formação profissional. Crescer em quantidade é fundamental, mas precisamos avançar também na qualidade das oportunidades oferecidas. Empresas de diferentes setores relatam dificuldades para encontrar profissionais preparados, enquanto muitos trabalhadores ainda buscam espaço no mercado.

Precisamos aproveitar o momento favorável para enfrentar gargalos estruturais, apoiar os setores que perderam fôlego e criar um ambiente mais seguro para quem deseja empreender, investir e contratar.

Gerar empregos é uma das manifestações mais concretas do desenvolvimento. Sustentar essa geração, distribuí-la entre diferentes atividades e transformá-la em renda, produtividade e qualidade de vida é o desafio que se apresenta. Rio Preto avançou nos primeiros meses de 2026. O próximo passo é garantir que esse avanço seja consistente, diversificado e duradouro.

Luciano Impastaro

Diretor do Centro de Estudos Econômicos da Acirp