As raridades do seu Paulo mostram Rio Preto do passado
Um presente inesperado e a prova de que a história da cidade renasce nos encontros improváveis

Está difícil aparecer novas fotos de Rio Preto. De vez em quando, alguém me presenteia com fotografias tiradas por seus próprios parentes, que ficaram engavetadas por décadas. Algumas, até, vêm em negativos, e aí é uma luta para digitalizar. Tenho que recorrer ao amigo fotógrafo Zé Nogueira, que generosamente faz o trabalho sem cobrar nada. Os negativos que recebi da família de Jaime Colagiovanni ficaram na casa dele por muitos anos e conseguimos digitalizar pelo menos vinte por cento do acervo. Tem muita coisa ainda por descobrir. Ainda bem que os negativos estão todos bem preservados e guardados com identificação.
Dia desses, como sempre na Pastelaria do Tadao, no Mercadão Municipal, que é, praticamente, a minha segunda casa ou escritório (sic), aparece um senhor de cabelos brancos desgrenhados, barba por fazer, chinelo de dedo, camisa semiaberta e dois baita anéis nos dedos da mão direita.
Eu estava sentado no balcão, do lado de fora. Ele perguntou: “Você é o Fernando, que faz a coluna no Diário da Região sobre a história da cidade? Eu adoro a coluna, coleciono desde a primeira.” Eu fico ultra feliz quando isso acontece. É justamente para essa gente e outros que chegaram na cidade nas últimas décadas que fazemos a coluna. Mostrar a evolução da cidade através dos tempos.
Perguntei o nome e ele respondeu ser Paulo. Perguntei também com o que trabalhou ou se ainda trabalha. Mas, ele mudou de assunto e eu logo vi que ele não queria falar do seu passado e sim da cidade. Sacou do bolso um envelope com um maço de fotos pequenas, todas em preto e branco, de várias épocas. Perguntei onde arrumou e ele disse que achou numa caçamba, próximo da Vila Maceno. Fiz minha última pergunta: o senhor quer vender as fotos? “O que é isso! Eu peguei o ônibus da Circular lá do Solo Sagrado só para vir entregar essas fotos para o senhor. É presente”, disse. Poxa. Fiquei emocionado. Ofereci um pastel, um café, uma cerveja, mas quando me virei, ele já tinha dado no pé, sem me dizer seu nome completo. Que pena.
Aí estão suas fotos, seu Paulo. Algumas raríssimas, como a de frente para a igreja Basílica, da década de 1940; da rua Bernardino de Campos, de frente para a igreja da vila Maceno; duas esquinas da rua Voluntários de São Paulo; do Comércio onde hoje é a Praça Cívica, em 1970, com Paulo Sicchio (de óculos); uma da Estação da EFA, da década de 1930; da Câmara Municipal em construção, da década de 1960; e uma da praça Rui Barbosa, da década de 1930. Aí estão, amigo Paulo. Muito obrigado.