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Conjuntura

Vulnerabilidades internas

Neste cenário de grandes confrontos econômicos e tarifários, encontramos uma nação prostrada em desafios urgentes e imediatos

por Ary Ramos da Silva Júnior
Publicado em 12/06/2026 às 18:56Atualizado em 12/06/2026 às 19:03
Ary Ramos da Silva Júnior (Ary Ramos da Silva Júnior)
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Aumento nos conflitos bélicos em variadas regiões do mundo, crescimento desenfreado das tecnologias, investimentos gigantescos em armas e equipamentos de defesa, mudanças estruturais nos modelos de negócios, além do aumento de confrontos fronteiriços e mudanças geopolíticas, que estão gerando instabilidades, culminando em intervenções armadas, matanças generalizadas, assassinatos de lideranças civis e militares, captura de presidente, aumentos nas sanções econômicas e pressões políticas, buscando assim manter o seu poder no cenário econômico e consolidando sua força política.

Neste cenário de grandes confrontos econômicos e tarifários, encontramos uma nação prostrada em desafios urgentes e imediatos, marcada por fragilidades institucionais, poderes em confrontos constantes, uma “elite” alienada e voltada para seus interesses imediatos e uma sociedade inconsciente dos desafios do mundo contemporâneo, gerando um futuro sombrio e preocupante. Onde as eleições, que deveriam ser um espaço de discussão dos grandes desafios nacionais, encontramos uma verdadeira conversa de botequim, recheada de fake news e inverdades que dominam o debate público.

Vivemos numa nação fortemente dependente de tecnologias estrangeiras, somos grandes produtores de produtos primários, somos líderes de commodities globais, mas somos importadores de fertilizantes, combustíveis, máquinas e tecnologias utilizadas nas fazendas nacionais, compramos equipamentos sofisticados, utilizamos satélites estrangeiros e somos explorados pelas traders internacionais que dominam o mercado global, controlam os preços e concentram a maioria dos ganhos.

Neste mundo marcado pelo grande desenvolvimento tecnológico somos dependentes de outras nações mais estruturadas e desenvolvidas, precisamos importar equipamentos bélicos e militares, adquirimos aviões sofisticados de nações menores e mais desenvolvidos tecnologicamente, compramos satélites estrangeiros para monitorar nossas questões climáticas, somos dependentes de grandes empresas de tecnologia, as chamadas big techs, enviamos nossas bases de dados para as nuvens e entregamos um dos principais tesouros nacionais, os dados agregados nacionais, informações valiosíssimas em todas as nações, mas no Brasil se tornam espaço de negociata e estímulo para a corrupção e para a malversação de recursos públicos.

Neste mundo globalizado, marcado pela circulação de recursos monetários, percebemos que o nosso país renunciou à nossa capacidade de controlar os fluxos monetários externos, os recursos estrangeiros entram e saem de acordo com interesses imediatos, desta forma, os governos nacionais que se alternam, utilizam-se de nossa elevada taxa de juros para atrair recursos especulativos, fechar as contas externas, que pouco contribuem para o desenvolvimento nacional, muito pelo contrário, perpetuando nosso atraso tecnológico, aumentando nossa dependência externa e contribuindo para nosso endividamento. Neste cenário, entregamos um dos mais importantes instrumentos de política econômica para os tubarões do sistema financeiro internacional, com isso, perpetuamos uma taxa de juro absurda e ultrajante, que serve para parasitar o povo brasileiro e destruir o espírito animal dos criadores da riqueza nacional, os verdadeiros empreendedores.

As nações apresentam variadas vulnerabilidades internas. Muitos países conseguiram enfrentar suas limitações tecnológicas, investindo fortemente em ciência, pesquisa e tecnologia, estimulando o conhecimento científico, investindo fortemente nas universidades e nos centros de pesquisas, angariando espaços significativos no cenário global. Infelizmente, estamos degradando as universidades, destruindo a pesquisa científica e devastando a carreira docente e ainda estamos esperando que outras nações nos salvem das escolhas insensatas, imaturas e irracionais.

Ary Ramos da Silva Júnior

Bacharel em Ciências Econômicas e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.