Você vive sem água

Não há muitos motivos para comemorar o Dia Mundial da Água. Não sei se existe algo mais importante do que a água, mas as pessoas continuam achando que ela é um bem infinito, a realidade tem provado o contrário.
Relatório da ONU diz que o mundo passou da fase de escassez e crise e fala em falência hídrica global. Um sinal claro de que a degradação dos sistemas hídricos já compromete o presente e ameaça o futuro. O que nos leva a reflexões no estudo da ONU, não está somente nos inúmeros problemas já conhecidos há tempos, mas o sentimento de que muitos deles se tornaram estruturalmente irreversíveis.
Vejamos alguns casos: aquíferos superexplorados, rios artificializados, zonas úmidas destruídas, poluição crônica e uso predatório do solo corroeram os mecanismos naturais de armazenamento e renovação da água. O mundo está gastando água que não será recomposta no tempo adequado. Dessa forma, teremos um déficit entre oferta e demanda, com impactos crescentes e dramáticos sobre alimentos, energia, saúde pública, novos negócios, estabilidade política e desenvolvimento econômico.
Você, em algum momento da sua vida, parou para pensar na importância da água? Sem ela não há vida, tudo para. Se o sistema hídrico está se aproximando de uma falência, será necessária uma reestruturação profunda, redefinição de prioridades. As próximas guerras certamente terão a água no centro das discussões, pois o que não falta é a estupidez humana, se nada for feito dá para imaginar o que poderá acontecer.
A água precisa ser vista como uma commodity, assim, talvez passe a ter valor. Políticas pontuais trazem soluções momentâneas, precisamos de estratégias de longo prazo.
Rio Preto aparece bem posicionada no Ranking de Saneamento Básico e distribuição de água. O Instituto Trata Brasil coloca o município como o segundo melhor saneamento do Brasil. Não podemos esquecer o problema crônico que tínhamos neste setor. Onde não há saneamento básico de qualidade não há desenvolvimento econômico.
Mas, e o futuro? Estima-se que nossa cidade chegará a uma população limite aproximada de 650 mil habitantes. Hoje, passam diariamente por Rio Preto 50 mil pessoas, a chamada população flutuante, vindas de outras cidades e estados, a região metropolitana terá um papel importante nesta questão. Onde buscaremos esta água para suprir as necessidades vindouras?
Outro ponto importante do relatório da ONU é o desmonte de uma ilusão própria daqueles que não querem enfrentar o problema, ou seja, a de que a crise é apenas um subproduto das mudanças climáticas, não é. Embora o aquecimento global amplifique os riscos, o relatório deixa claro que a má governança da água — marcada por subsídios distorcidos, ausência de regulação efetiva, captura política e invisibilidade institucional — tem peso igual ou maior na degradação atual.
O Brasil tem 12% da água doce do mundo, uma das maiores disponibilidades hídricas do planeta, mas temos inúmeros problemas a serem resolvidos. Vejamos: a degradação das bacias, o avanço desordenado do desmatamento, a poluição urbana e industrial, irrigação ineficiente e a histórica fragilidade dos instrumentos de governança.
A questão da água é muito importante e precisa ser centro das decisões políticas e econômicas, pois tende a se intensificar num mundo cada vez mais quente. Precisamos evitar o desperdício, perdemos em média 40,3% da água tratada antes de chegar às torneiras, por outro lado, cerca de 35 milhões não têm acesso à água potável, e mais de 100 milhões vivem sem coleta de esgoto.
A poluição dos rios e lagos é um problema grave, com apenas 50% do esgoto sendo tratado (vide os rios que passam por nossa região), sem contar com regiões como o Nordeste e o Sudeste que enfrentam secas prolongadas, afetando todas as atividades econômicas, inclusive o turismo, que se fortalece cada vez mais em nossa região.
O diagnóstico da ONU é duro, mas extremamente necessário.