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ARTIGO

Viva as mulheres negras e Tereza de Benguela

Pois queremos viver e queremos que o direito às nossas vidas seja protegido

por Thainá da Silva Costa
Publicado em 24/07/2026 às 19:16Atualizado em 24/07/2026 às 19:21
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Caros leitores, serei breve, pois pretendo não tomar demasiadamente o tempo de vocês. O Brasil, pelo terceiro ano consecutivo, é o país que mais assassina mulheres e pessoas trans, por crime de ódio, ou seja, são repetidos golpes, asfixia, pauladas, proferidos contra essas pessoas.

Além disso, apesar de termos a Lei Maria da Penha, segundo Jota Mombaça, as taxas de feminicídio crescem a cada ano. E, atualmente, somos o território nacional que abriga cerca de um a dois milhões de imigrantes. Hoje, Dia Internacional das Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas, quero falar sobre a vida dessas mulheres, pessoas trans, bem como sobre as imigrantes, refugiadas da fome, guerra, desemprego, falta de acesso à saúde, educação, que buscam o Brasil como lar.

Como uma sociedade que elege Deus, pátria e família como cerne pode escarnecer e desumanizar mulheres, pessoas trans e imigrantes? Seria Deus limitado a amar? Seria a família criada para o direito de alguns? E a pátria digna de somente a outros?

É urgente a nossa tarefa reflexiva: o que nos afasta destas pessoas ou nos torna diferentes delas? Nada! Na verdade, temos mais coisas que nos deixam próximas a elas. Choramos como elas; sentimos dores como elas; temos fome também como elas; e, numa sociedade capitalista, não temos garantia de seguranças absolutas, também como elas.

Meu apelo é para que, neste dia 25 de julho de 2026, nosso olhar alcance as mulheres e pessoas trans que sofrem com o feminicídio e a transfobia, a exclusão das famílias por serem pessoas LGTBQIAPN+, submetidas à rejeição do amor e do afeto, à dignidade e segurança, bem como as imigrantes, desoladas, exiladas, com os corações partidos em busca de esperança e que, ao chegar no Brasil, são fortemente exploradas pelo mercado de trabalho em condições escravizadoras do mundo operário.

Que nosso Deus, nossa pátria e nossa família, as/os alcancem neste dia. Pois queremos viver e queremos que o direito às nossas vidas seja protegido, porque este também é um papel de toda a sociedade rio-pretense. Feliz dia 25 de julho, Dia Internacional das Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas e dia Nacional de Tereza de Benguela. Pelo bem viver destas mulheres, das pessoas LGBTQIAPN+ e imigrantes.

Thainá da Silva Costa

Psicóloga e organizadora da Marcha das Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas