Diário da Região

Vênus, Marte, Maduro e o Imperialismo

O fato de haver um regime ditatorial não autoriza que um Estado estrangeiro invada um país

por Alexandra Fonseca
Publicado em 07/01/2026 às 00:59
Alexandra Fonseca (Divulgação)
Galeria
Alexandra Fonseca (Divulgação)
Ouvir matéria

Há quem diga que Marte, o “Deus da Guerra”, regente astrológico de 2026 é a causa de o nosso ano já se iniciar com notícias de guerra. Pai do medo (Fobos) e do terror (Deimos), à primeira vista pareceria uma explicação “Astral” para os recentes acontecimentos. Tal qual sua irmã Minerva, deusa da sabedoria, das artes e da estratégia, minha função aqui hoje é dar meu voto para inocentar o pobre Marte, que nada tem a ver com isso.

Nem Marte, nem Maduro: não fosse o fato de que a sanha da dominação imperialista americana promoveu mais uma ofensiva violenta contra um país sob o falso pretexto de “guerra às drogas” (desculpa que já “não cola” mais) não iniciaríamos o ano com notícias tão devastadoras.

O fato de haver um regime ditatorial não autoriza que um Estado estrangeiro invada um país, desconsiderando a soberania daquela nação e a autodeterminação dos povos. Há quem comemore, ignorando o fato de que aceitar esta interferência cria um precedente perigosíssimo para todos os países com menor potencial ofensivo, inclusive o nosso.

Tratados de Direito Internacional servem para garantir uma existência minimamente civilizada entre países e a atitude americana, constituída de invasão de território, sequestro internacional de seu dirigente, entre outras condutas ilegais, viola não só a soberania Venezuelana, sua integridade territorial e o Princípio da Independência entre os países, mas coloca em xeque o sistema normativo de Direito Internacional que protege toda a Humanidade.

Celso de Mello ensina: “A soberania não é retórica: é limite político-jurídico ao poder coercitivo dos demais Estados que compõem a comunidade internacional.

Um país só pode entrar em conflito com outro em caso de legítima defesa ou de agressão injusta e nenhum dos casos se verifica para que o ataque americano seja justificável. Pelo Contrário: a Venezuela que viveu a maior crise de migração do hemisfério ocidental com mais de 7 milhões de venezuelanos fugindo do país, em razão de mais de uma década de embargo dos EUA que, a exemplo do que já intentou em Cuba, se utiliza das sanções econômicas para causar “desencanto e descontentamento com base na insatisfação econômica e nas dificuldades” (estratégia articulada em um de 1960 do Departamento de Estado americano, em relação aos objetivos do embargo a Cuba) interferindo na política do País no intuito de obter vantagens econômicas.

Se os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus, nós precisamos de mais governos de mulheres. Afinal, um pouquinho de amor e cuidado faria muito bem à humanidade.

Alexandra Fonseca

Advogada, mãe, ativista e membra do Coletivo Mulheres na Política.