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Uma jovem senhora

​No último dia 30 de janeiro, a Unesp - Universidade Estadual Paulista - completou 50 anos

por Monica Abrantes Galindo
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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​Constituída a partir da junção de faculdades já existentes em São Paulo, a Unesp tem hoje 34 campi distribuídos em 24 cidades. Em Rio Preto, somos o Ibilce – Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas. Se fizermos um círculo de aproximadamente 100 km em volta de cada campus da Unesp, cobrimos todo o estado de São Paulo, o que nos faz realmente presentes em todo o território estadual.

​Temos motivos para comemorar. A título de exemplo, na gestão, temos nossa primeira reitora. Para além da competência, avançamos em termos de representatividade. Em relação ao acesso dos jovens à universidade, o sistema de cotas, nossa participação no Provão Paulista e a utilização do Enem ampliam as possibilidades de entrada de estudantes no ensino superior.

Olhando para a permanência estudantil, tivemos a criação de uma nova pró-reitoria de ações afirmativas, diversidade e equidade. Na pesquisa, além do aumento do número de programas de pós-graduação com nível de excelência, recentemente estabelecemos uma parceria com a Unesco e diversas universidades africanas, ampliando nossos processos e espaços de internacionalização. Na extensão universitária, os projetos se ampliaram com a curricularização da extensão, que coloca as atividades com a comunidade externa como parte obrigatória do currículo para todos os alunos.

​Comemorar e orgulhar-se não significa, entretanto, não querer olhar para os problemas que temos. Também a título de exemplo, no âmbito particular da Unesp, temos a questão da equiparação dos salários dos técnicos-administrativos às outras universidades públicas estaduais paulistas. No âmbito estadual, nos juntamos às demais universidades paulistas na preocupação com a mudança do ICMS, que poderá alterar nossos recursos financeiros.

No âmbito nacional e também mundial, os projetos que, de maneiras diversas, têm desejado desmerecer e atacar o ensino superior são uma ameaça quando se deseja construir um ensino público e de qualidade. Não é coincidência que todo governo autoritário despreze o conhecimento e ataque a educação em todos os níveis.

​Entrando na maturidade, a Unesp – ainda jovem, mas já senhora –, há de continuar buscando sempre ampliar sua atuação e contribuir com a melhoria de nossa sociedade através da construção do conhecimento científico e da formação de pessoas. Estejamos juntos nessa comemoração e nessa jornada.

Monica Abrantes Galindo

Vice-diretora da UNESP de Rio Preto, professora, participante dos coletivos Mulheres na Politica e CDINN -Coletivo de Intelectuais Negras e Negros.​