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ARTIGO

Uma cidade viva, para quem vive nela

A cidade que desejamos não pode ser tratada como um tabuleiro de concreto

por Jorge Vermelho
Publicado há 3 horasAtualizado há 2 horas
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Há cidades que crescem. Outras, apenas se expandem. A diferença entre uma e outra não está no número de prédios, avenidas ou obras inauguradas, mas na forma como são pensadas e, sobretudo, por quem as pensa. Crescer é mais do que ocupar espaço: é desenvolver sentido, pertencimento e qualidade de vida.

A cidade que desejamos não pode ser tratada como um tabuleiro de concreto. Ela é um organismo vivo, pulsante, em constante transformação. Respira nas manhãs apressadas, nas tardes de encontro, nas noites de silêncio ou celebração. Muda todos os dias porque são as pessoas que a movem com seus sonhos, suas urgências e suas contradições. Ignorar isso é reduzir a cidade a um projeto frio, incapaz de responder à vida que a atravessa.

Por isso, queremos uma cidade gerida por quem compreende a complexidade da vida coletiva. Gestão não é apenas administrar recursos; é escutar, articular, planejar com sensibilidade e visão de longo prazo. É reconhecer que ruas não são apenas vias de passagem, mas espaços de convivência. Que praças não são vazios urbanos, mas territórios de encontro. Que cultura, educação, mobilidade e cuidado não são acessórios, mas fundamentos de uma cidade saudável.

A cidade que imaginamos é feita de pluralidades. É o lugar onde diferenças não apenas coexistem, mas se encontram, dialogam e constroem. Um polo vivo de convivência, onde cada pessoa possa se reconhecer e também descobrir o outro. Uma cidade que acolhe, que não expulsa. Que inclui, que não invisibiliza. Onde o direito à cidade seja efetivo, e não apenas discurso.

Queremos habitar um lugar onde se queira estar — e mais do que isso, onde se queira ficar. Onde o pertencimento não seja privilégio, mas direito. Onde o cotidiano não seja apenas atravessado, mas vivido com dignidade, beleza e sentido.

Cidade como ninho. Como acalanto. Como promessa concreta de futuro. Não é utopia. É projeto. E começa pela escolha de quem entende que cuidar de uma cidade é, antes de tudo, cuidar de gente.

Jorge Vermelho

Artista, produtor e gestor cultural.