Todos podem falhar, menos uma mãe
De uma mãe que te protegeu de um mundo imperfeito que você jamais percebeu

O amor materno é único, incondicional e incomparável. Tão profundo que até Deus quis que seu filho, Jesus, o conhecesse por meio de Maria. Assim, a maternidade torna-se o símbolo máximo de fé, entrega e de um amor que nunca falha.
Dentro do mundo perfeito da infância existe a brincadeira de ser mãe. Nesse universo de sonhos, a criança jamais deixa de acreditar no quanto pode ser grande, forte e guerreira. Ali nasce uma leoa: aquela que, na vida adulta, daria tudo por seus filhos, sem sequer cogitar outra possibilidade.
Mas esse mundo perfeito, ao chegar à vida adulta, torna-se imperfeito e imprevisível com a maternidade: contas a pagar, rotina de trabalho e estudo, cuidar dos filhos, arrumar a casa, acompanhar tarefas escolares, enfrentar dificuldades na escola. Tudo isso passa a coexistir em um cenário em que o controle — sim, o controle das coisas — parece completamente fora de controle.
Você, porém, quase nunca percebeu. Afinal, ali estava a sua mãe. A mãe que deixou de estudar e de viver a própria formatura para estar presente na sua singela formatura da educação infantil, ensaiando por alguns dias uma música inocente — pouco, convenhamos, para alguém que ensaiou a vida inteira para ser mãe.
Ali estava a mãe que abriu mão do lanche no trabalho para que o filho pudesse comprar um salgado na cantina, uma chuteira para jogar futebol ou um humilde violão para arriscar os primeiros acordes. Nesse mundo imperfeito, você nunca imaginou o quanto sua mãe o tornava perfeito. Nada lhe faltou. A fome e o esforço extremo, muitos filhos conheceram apenas pela televisão, porque uma mãe escreveu seu diário de batalhas nas próprias pernas marcadas por varizes e em refeições simples, baratas, ricas em carboidratos pouco saudáveis, que lhe renderam alguns quilos a mais. Mas nada disso foi contado de forma heroica — afinal, mães não podem falhar.
E quando você pensa em mães que falharam, talvez elas nunca tenham falhado. Talvez tenha sido apenas você — filho ou filha — que não conseguiu enxergar o mundo imperfeito que essa mulher grande, guerreira e leoa tentou esconder dentro das condições que tinha.
Se ela não estudou, saiba: nunca deixou de aprender. Pediu conselhos, leu, observou, buscou respostas. A maternidade foi a universidade que ela cursou — em partes, por sua causa — diante dos imensos desafios da infância e da rebeldia da adolescência. E se hoje sua mãe se orgulha de você, saiba que esse orgulho nasceu sobre muitas lágrimas: lágrimas do medo de errar, de não ter dinheiro para pagar seus estudos, de vê-lo sofrer zombarias na rua ou na escola, de desejar que você aprendesse a se defender sozinho, mesmo sem nunca estar realmente sozinho.
Por isso, antes que seja tarde, diga “eu te amo” à sua mãe. Que não seja o último, mas o primeiro de milhares.
Tiago Cesar Miguel Kapp
Empresário e estudante universitário/Olímpia