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RADAR ECONÔMICO

Tecnologia rio-pretense para Rio Preto e para o mundo

Desafio agora é consolidar ainda mais o reconhecimento interno e ampliar capacidade produtiva

por João Paulo Rodrigues
Publicado há 18 horasAtualizado há 7 horas
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A cultura importadora muitas vezes nos faz imaginar que as tecnologias líderes de mercado vêm sempre de fora. Mas essa não é a realidade de Rio Preto em diversos segmentos. A cidade já produz soluções de alto nível, competitivas nacional e internacionalmente.

Atualmente, a Apeti reúne mais de 130 empresas de tecnologia que desenvolvem soluções para saúde, agronegócio, varejo, serviços financeiros, gestão empresarial e indústria. Essas empresas geram milhares de empregos diretos e movimentam milhões de reais na economia local. Boa parte delas atende clientes em outros estados e também no exterior, exportando serviços, inovação e conhecimento.

Diversas pesquisas recentes reforçam que cidades que produzem, adotam e exportam tecnologia tendem a enriquecer mais rápido. Um estudo global da ThoughtLab, por exemplo, analisou cerca de 200 municípios e concluiu que centros urbanos com infraestrutura digital robusta e ecossistemas tecnológicos consolidados podem registrar até 21% de crescimento adicional no PIB per capita em cinco anos. A literatura acadêmica sobre clusters de inovação aponta na mesma direção, mostrando que regiões que concentram empresas e talentos de tecnologia aumentam produtividade, atraem investimentos e ampliam renda média. Investir em tecnologia, portanto, não é apenas acompanhar tendências, mas fortalecer um dos motores mais relevantes do desenvolvimento econômico moderno.

Esse avanço não é episódico. Ele responde à digitalização estrutural de praticamente todos os segmentos produtivos. Saúde depende de sistemas integrados. O agronegócio utiliza plataformas de gestão, monitoramento e análise de dados. O varejo opera com soluções de logística e pagamento digital. A indústria precisa de automação, eficiência e inteligência operacional. Todos os setores estão se tornando, na prática, setores tecnológicos.

Rio Preto está inserida nesse processo com base instalada. O município possui um Parque Tecnológico estruturado, instituições de ensino superior formando profissionais qualificados e um ambiente empresarial que produz e absorve inovação. Segundo o IBGE, a cidade está entre os maiores PIBs do interior paulista, com uma economia baseada em serviços e comércio, segmentos cada vez mais dependentes de tecnologia para crescer e se manter competitivos.

Quando defendo que produzir e consumir tecnologia localmente é estratégico, estou falando de impacto econômico direto. Ao contratar soluções desenvolvidas por empresas da própria cidade, mantemos receita no município, fortalecemos fornecedores locais e ampliamos a capacidade de investimento regional. Esse ciclo gera arrecadação, emprego e estabilidade econômica.

A Apeti também ampliou sua atuação regional com capítulos em cidades como Olímpia e Catanduva, estimulando integração empresarial e padronização de boas práticas. O objetivo é fortalecer o ecossistema coordenadamente, aumentando competitividade, qualidade e escala.

A tecnologia produzida em Rio Preto já dialoga com o Brasil e com o mundo. O desafio agora é consolidar ainda mais o reconhecimento interno e ampliar a capacidade produtiva. Existe estrutura empresarial. Existe demanda e principalmente, existe capital humano.

João Paulo Rodrigues

Presidente da Apeti