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Tecnologia, escola e família: uma relação que mudou

por Solange Pescaroli
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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Por muitos anos, a tecnologia foi vista pela escola quase como um corpo estranho e aplicativos geravam desconfiança. Esse cenário mudou. Não por modismo, mas por necessidade. Hoje, a tecnologia passou a ocupar um papel estratégico na educação e, principalmente, na forma como escolas e famílias se relacionam.

Na prática, ferramentas digitais encurtaram distâncias. Plataformas educacionais, aplicativos de comunicação e ambientes virtuais de aprendizagem permitem que pais acompanhem a rotina escolar em tempo real. Informações sobre desempenho, frequência, atividades e até comportamento deixaram de chegar apenas em reuniões pontuais. Passaram a fazer parte do dia a dia das famílias.

Esse acesso não substitui o diálogo presencial, mas o qualifica. Quando escola e família falam a mesma língua e compartilham dados objetivos, a conversa se torna mais produtiva. O foco deixa de ser o problema isolado e passa a ser o desenvolvimento do aluno como um todo.

A tecnologia também trouxe ganhos pedagógicos concretos. Recursos digitais permitem personalizar o ensino, respeitando ritmos diferentes de aprendizagem. Um aluno pode revisar conteúdos, acessar materiais complementares e aprofundar temas de acordo com suas necessidades. Para o professor, os dados gerados por essas plataformas ajudam a identificar dificuldades antes que elas se tornem obstáculos maiores.

Nesse contexto, a inteligência artificial começa a ocupar espaço relevante. Ainda existe receio, muitas vezes associado à substituição do professor, mas essa leitura é equivocada. A IA, quando bem utilizada, atua como apoio. Ela organiza informações, sugere caminhos, identifica padrões de aprendizagem e libera o educador para aquilo que nenhuma tecnologia substitui: a mediação humana, o olhar atento, a escuta qualificada.

Na relação com as famílias, a IA também pode contribuir. Relatórios mais claros, linguagem acessível e comunicação personalizada ajudam a aproximar responsáveis da rotina escolar. Informação bem apresentada gera engajamento e corresponsabilidade.

É importante dizer que tecnologia, por si só, não resolve os desafios da educação. Ela exige formação, critério e propósito. Sem projeto pedagógico consistente, vira apenas ferramenta vazia. Com intencionalidade, porém, se transforma em aliada poderosa.

O que estamos vivendo não é uma tendência passageira. É uma mudança estrutural. Escola e família não podem mais atuar de forma desconectada. A tecnologia, incluindo a inteligência artificial, tornou essa aproximação possível, mensurável e contínua. O desafio agora é usar esses recursos com responsabilidade, ética e foco no que realmente importa: o aprendizado e o desenvolvimento integral dos alunos.

Solange Pescaroli

Gestora de relacionamento, fundadora da UMA