Tchau, querida disruptiva!
Essa suposta "disrupção" nada mais era do que a velha política do século XIX travestida de novidade

A assistência social em São José do Rio Preto respira, enfim, um ar de despedida. A saída da então secretária, sob o pretexto oficial de "concorrer às eleições", soa mais como um alívio para quem preza pelo rigor técnico do que como uma perda para a cidade.
O anúncio da exoneração encerra um ciclo marcado pela tentativa de transformar o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) em um balcão de autopromoção, deixando para trás um rastro de desconstrução que levará tempo para ser reparado. Já vai tarde.
Sob o verniz de uma modernidade de fachada, a secretaria empenhou-se em criar uma assistência social de um "mundo paralelo", ignorando os marcos legais e a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais. O uso exaustivo do jargão "disruptivo" serviu apenas como cortina de fumaça para uma gestão que atropelou protocolos em favor de interesses pessoais. O que se viu não foi inovação, mas o uso da máquina pública para garantir sustentação política, resgatando um modelo arcaico e coronelista onde o direito do cidadão é trocado pelo favor do gestor.
Essa suposta "disrupção" nada mais era do que a velha política do século XIX travestida de novidade. Enquanto o Brasil é referência internacional pelo SUAS, Rio Preto regrediu ao assistencialismo rasteiro, aquele que serve para acalmar os ânimos e manter o poder, em vez de garantir proteção social real aos vulneráveis. A tentativa de submeter conselhos e técnicos à vontade do governo — usando a estrutura pública como moeda de troca — revela a verdadeira face de uma gestão que nunca compreendeu a assistência como política de Estado.
O legado da "querida disruptiva" é a fragmentação da rede e o desamparo dos trabalhadores da ponta, que resistiram bravamente a um comando que preferia o marketing vazio, as postagens nas redes e o palanque às normas técnicas. A política de assistência social não pode ser o quintal de experimentações ideológicas ou trampolim para ambições eleitorais de quem confunde o público com o privado.
Que a saída da gestora marque também o fim dessa era de invencionices e o retorno à legalidade. Rio Preto merece uma assistência social que respeite a inteligência de seus técnicos e a dignidade de sua população, longe de slogans gourmetizados e de práticas que deveriam ter ficado no passado.
Tchau, querida; que a disrupção agora seja o retorno ao respeito pelas leis e pelo SUAS.
Maria Aparecida T. Vernucci da Silva
Assistente social servidora pública municipal aposentada.