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Sindicatos se unem no setor sucroenergético

Carta de Jales define pauta única em um dos principais setores do interior

por João Pedro Alves Filho e Tiago Gonçalves Pereira
Publicado há 3 horasAtualizado há 2 horas
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O encontro realizado em Jales marca um ponto de virada na organização dos trabalhadores do setor sucroenergético no Estado de São Paulo. A aprovação unânime da Carta de Jales não pode ser tratada como um gesto protocolar. Trata-se de uma definição objetiva de prioridades, construída de forma coletiva, que passa a orientar a atuação sindical em diferentes frentes.

A mobilização reuniu quase 300 dirigentes sindicais, representando mais de 100 mil trabalhadores diretamente ligados à cadeia produtiva da cana.

Esse volume dá dimensão do alcance da iniciativa. O setor tem presença estruturante no interior paulista e atravessa um momento de transformação, com impactos diretos sobre as condições de trabalho.

A mecanização, a reorganização das operações e as novas exigências produtivas mudaram a rotina de milhares de trabalhadores. Ao mesmo tempo, o setor se posiciona como parte relevante da transição energética. Esse cenário exige mais do que respostas isoladas. Exige coordenação.

A Carta de Jales estabelece sete diretrizes claras: valorização econômica do trabalho, jornada e qualidade de vida, negociação coletiva, saúde e segurança, combate à precarização, assistência médica e mobilização sindical. Não se trata de ampliar pauta. Trata-se de alinhar prioridades entre categorias que atuam de forma integrada dentro da mesma cadeia produtiva.

Como já apontamos no próprio encontro, esse encontro mostra o peso do setor. Não é só salário. É condição de trabalho, ambiente e o crescimento da atividade. As categorias estão conectadas e a negociação precisa seguir essa lógica. A unificação da pauta responde diretamente a essa necessidade.

O trabalhador não está restrito a uma única função dentro do setor. Ele circula por diferentes etapas da produção, com desafios que se repetem.

Fragmentar a negociação enfraquece o resultado. Unificar fortalece.

Também destacamos que esse movimento ocorre em um momento sensível. A mecanização e as novas exigências mudaram a rotina. Com muita gente envolvida, organizar a base é essencial. A ideia é avançar nas condições de trabalho e unificar negociações, inclusive em temas que estão em discussão no país, como a escala 6x1.

O que se constrói a partir de Jales é uma base mais sólida para negociação. A articulação entre federações e sindicatos cria um ambiente mais consistente para tratar temas que são comuns a todo o setor. O desafio, a partir de agora, é transformar esse alinhamento em resultado concreto nas mesas de negociação.

A pauta está definida. A base está organizada. O próximo passo depende de capacidade de articulação, leitura de cenário e continuidade desse movimento.

João Pedro Alves Filho

Presidente do Sindalquim Rio Preto.

Tiago Gonçalves Pereira

Presidente do Sindicato da Alimentação de Rio Preto.