Semae: patrimônio dos rio-pretenses
A saúde financeira do Semae e sua projeção nacional despertam cobiça da iniciativa privada

Neste mês comemoramos duas importantes datas: 174 anos de Rio Preto, no dia 19, e o Dia Mundial da Água, no dia 22. E o Semae, essa autarquia que tanto nos orgulha, celebra o levantamento do Instituto Trata Brasil, que coloca a cidade com o segundo melhor saneamento do Brasil, tomando por base dados técnicos de 2024, último ano de meu quarto mandato como prefeito, com nota máxima em todos os quesitos.
Com eficiência e uma das tarifas mais baixas do país para cidades do porte da nossa, Rio Preto segue como referência no saneamento, estando entre as 10 melhores cidades do Brasil pelo 9º ano consecutivo. Um legado de trabalho, planejamento e compromisso; uma autarquia que tenho orgulho de ter criado ainda em meu primeiro mandato como prefeito, em agosto de 2001, completando agora 25 anos.
Digo sempre que o Semae é patrimônio de todos os rio-pretenses. Quem vivia aqui na época da criação da autarquia é testemunha da crônica falta de água em todos os bairros. Não havia capacidade de investimento para resolver esse grave problema que incomodava os moradores e afastava investimentos na cidade.
Já no terceiro ano de vida, o Semae tinha água de sobra nas torneiras, com tarifas baixas, e chegaria a vez de olhar para o esgoto, que corria a céu aberto no rio Preto e seus afluentes, afastando animais aquáticos e pondo em risco a saúde de quem vivia próximo desses cursos d'água.
Uma equação financeira juntou recursos próprios do Semae e financiamento federal para a construção da Estação de Tratamento de Esgoto, a ETE, que deixou no passado um tempo de poluição e de triste memória. Na época, diziam que o empréstimo quebraria o Semae. O fato é que a autarquia cumpriu todos os compromissos financeiros sem precisar de um choque tarifário. Hoje temos praticamente 100% do esgoto coletado e tratado, uma realidade que não se vê entre muitas metrópoles pelo Brasil.
Engenharia financeira semelhante fizemos para buscar água no rio Grande, com projeto técnico pronto e bancado pelo governo federal, mas retirado irresponsavelmente da pauta de prioridades da atual gestão. Estamos super explorando nossos aquíferos e a vazão do rio Preto representa menos de 20% da água que precisaremos nas próximas gerações.
A saúde financeira do Semae e sua projeção nacional despertam cobiça da iniciativa privada e de quem acha que privatizar é melhor do que manter esse setor estratégico nas mãos do município. O poder público cumpre um papel relevante no saneamento e em outros setores. Mas, para isso, são necessários o comprometimento do gestor, conhecimento e competência administrativa. É preciso estarmos sempre atentos contra investidas para privatizar a água e o esgoto.
Estou certo de que essa posição do Semae, deve-se, principalmente, à dedicação de seus servidores e colaboradores. Cada um deles compreende a importância de seu papel na produção e distribuição de água de qualidade, no tratamento do esgoto e no respeito ao cliente – o povo rio-pretense. O desafio que se impõe agora é manter esses índices de primeiro mundo, que muito nos orgulham, e pensar estrategicamente no futuro do abastecimento. Água é vida!
Edinho Araújo
Prefeito de São José do Rio Preto por 4 vezes, deputado estadual e federal, ministro de Portos e prefeito de Santa Fé do Sul.