Riquezas Naturais

A sociedade internacional vive momentos de grandes agitações econômicas, políticas e geopolíticas. Onde as nações estão repensando seus desafios contemporâneos, as guerras e os conflitos militares crescem em todas as regiões do globo, o meio ambiente passa por degradações constantes pela ação irresponsável e imediatista dos seres humanos, o aumento constante da desigualdade dentro dos países, violências explodem na comunidade mundial, os imigrantes passaram a ser vistos como indesejáveis, a democracia representativa se degrada todos os dias, percebemos, ainda, a ascensão de uma extrema direita fascista, xenófoba e belicista. Neste cenário, as nações estão tendo que repensar os seus modelos de desenvolvimento econômico, suas políticas públicas, suas prioridades, seus desafios imediatos e suas oportunidades, num mundo conflagrado, violento, corrupto, sangrento e centrado nos valores do capital, da acumulação e do hedonismo.
A sociedade brasileira se caracteriza, desde os seus primórdios, como uma economia agroexportadora de produtos de baixo valor agregado, alternamos, desde a colonização, uma predominância de produtos primários, pau-brasil, cana-de-açúcar, metais preciosos, borracha, cacau, café... dentre outros. Mais de duzentos anos de independência, permanecemos como uma nação exportadora de produtos primários, atualmente dependemos das vendas externas de soja, minério de ferro, carne, laranja, petróleo, açúcar dentre outros, desta forma, perpetuamos nossa dependência externa, enriquecendo uma pequena parte da sociedade e condenamos a indignidade uma grande parte da população, criando e consolidando uma elite econômica, política e financeira importadora de produtos sofisticados, compradora de tecnologias de última geração e sendo vistos como modernos, dominando o Estado Nacional, extraindo grandes somas de recursos através de subsídios, isenções fiscais e tributárias e, mesmo assim, lutam fortemente para reduzir os repasses governamentais para os grupos menos favorecidos.
Muitas nações pobres, frágeis e desprovidas de riquezas naturais conseguiram seu desenvolvimento econômico e garantiram uma melhor qualidade de vida para seus cidadãos, investindo fortemente em educação, dispendendo grandes somas monetárias em pesquisa, ciência e tecnologia, aumentando a complexidade econômica de seu setor produtivo, com isso, garantiram um capital humano mais qualificado, mais dinâmico e, desta forma, conseguiram, construir uma economia mais independente, mais soberana, com autonomia política e garantiram espaços de destaque no cenário internacional.
Outras nações, podemos elencar inúmeros exemplos, caracterizadas por grandes riquezas naturais, dotadas de vegetação variada e diversificada, solos ricos, energias renováveis, ventos abundantes, características positivas que enchem os olhos de outras nações, gerando inveja e constrangimentos no cenário global. Mesmo assim, sendo detentoras de grandes riquezas não conseguiram se libertar do atraso econômico, favorecendo uma pequena parte da população, garantindo benesses e isenções constantes e, contribuindo, imensamente para a perpetuação da miséria, do analfabetismo e da indignidade humana de parte substancial da população.
A abundância de recursos naturais pode angariar uma melhora constante da vida da população, desde que a sociedade compreenda a importância de distribuir recursos para todos os grupos sociais, deixando de lado os ganhos indiscriminados de poucos e entendendo que a desigualdade degrada o tecido social, reduz as oportunidades, limitam o potencial inovador dos cidadãos, concentra a renda nas mãos de poucos, aumenta a violência cotidiana e perpetua uma guerra de todos contra todos, sem vencedores e apenas perdedores.
Ary Ramos da Silva Júnior
Bacharel em Ciências e Administração, Mestre, Doutor em Sociologia e professor universitário.