RADAR ECONÔMICO

Rio Preto no palco do mundo

A cidade compreendeu que, para competir globalmente, precisava construir uma governança colaborativa

por Jorge Luis de Souza
Publicado há 12 horas
Jorge Luís de Souza (Jorge Luís de Souza)
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São José do Rio Preto e região vivem um momento emblemático. A realização simultânea de dois grandes eventos de porte internacional não é fruto do acaso, mas o ápice de um planejamento estratégico que o município vem desenhando há anos. O que vemos hoje, com hotéis lotados, restaurantes movimentados e um fluxo intenso de visitantes, é resultado de um trabalho de médio e longo prazo que transformou a cidade e seu entorno em um polo de hospitalidade e eficiência. Esse avanço é reconhecido oficialmente. O município está classificado pela Setur-SP como Município de Interesse Turístico e foi elevado à Categoria A no Mapa do Turismo Brasileiro, do Ministério do Turismo.

O mercado de eventos é frequentemente subestimado por quem enxerga apenas a festa ou o congresso. Na prática, ele movimenta uma das cadeias produtivas mais amplas da economia, impactando diretamente 52 atividades econômicas. Trata-se de um efeito em cadeia que alcança desde a hotelaria e a gastronomia até o transporte por aplicativos e o comércio varejista, chegando inclusive à pequena produtora que fornece o queijo fresco para o café da manhã dos hóspedes. É uma indústria limpa, que gera empregos com agilidade, do montador de estruturas ao tradutor especializado.

Essa maturidade, porém, não surgiu da noite para o dia. A cidade compreendeu que, para competir globalmente, precisava construir uma governança colaborativa. Nesse contexto, está em fase de conclusão o projeto “Visite Rio Preto Convention & Visitors Bureau”, que representa a união do trade turístico, das entidades de classe e do poder público, permitindo a criação de uma rede sólida de suporte ao setor.

Esse esforço conjunto se traduz na capacitação contínua dos profissionais, na profissionalização da infraestrutura e, sobretudo, em uma nova mentalidade. O setor turístico deixou de se enxergar de forma isolada e passou a atuar de maneira integrada, com uma visão de destino. Em vez da lógica da concorrência fragmentada, consolidou-se o entendimento de que todos ganham quando trabalham unidos para fortalecer e promover a “Marca Rio Preto”. Investir na cultura da hospitalidade e no saber receber tornou-se nossa maior vantagem competitiva. O amadurecimento desse ecossistema faz com que, hoje, possamos suportar a operação logística de múltiplos eventos simultâneos sem perder qualidade.

Os resultados que colhemos agora comprovam que investir em eventos é investir também em desenvolvimento social. Significa trazer dinheiro novo para circular na cidade, fortalecer o empreendedor local e ampliar oportunidades em diferentes setores. Nossa região não está apenas recebendo pessoas. Está exportando para o mundo uma imagem de competência, organização e preparo.

O mercado de eventos é, acima de tudo, a vitrine da nossa maturidade e imenso potencial. E essa realidade se sustenta em três pilares fundamentais: a governança colaborativa, marcada pela sinergia entre poder público, entidades como Acirp, Sinhores, Comtur, Senac e Sebrae, e a iniciativa privada; a cultura de hospitalidade, fortalecida por programas de capacitação que preparam do recepcionista ao motorista de aplicativo para um padrão de atendimento internacional; e a visão de destino, que levou o trade turístico a abandonar uma atuação fragmentada para trabalhar de forma unida na consolidação da Marca Rio Preto. Investir no saber receber tornou-se nossa maior vantagem competitiva.

Jorge Luís de Souza
Vice-Presidente da Acirp e Membro do Comitê de Implantação do Visite Rio Preto