Reservas estratégicas de petróleo
São verdadeiros cofres geológicos a serviço da estabilidade energética dos EUA

Sob o solo quente e instável da costa do Golfo do México, existe um mundo subterrâneo colossal, silencioso e estratégico. São as cavernas de sal que abrigam a Strategic Petroleum Reserve (SPR) dos EUA, uma das mais sofisticadas infraestruturas de segurança energética do planeta. Essas estruturas não são cavernas naturais, mas imensos espaços subterrâneos escavados no interior de domos de sal — formações geológicas criadas ao longo de milhões de anos.
O sal, quase impermeável e quimicamente estável, oferece condições ideais para o armazenamento de petróleo, além de possuir uma característica singular: sob pressão, pequenas fissuras tendem a se fechar, garantindo a integridade das cavernas ao longo de décadas e reduzindo drasticamente o risco de vazamentos.
Essas cavernas são criadas por meio de um processo industrial conhecido como mineração por solução, no qual água doce é injetada a centenas de metros de profundidade para dissolver o sal e formar câmaras gigantescas, capazes de armazenar milhões de barris de petróleo cada uma. Em média, as cavernas têm cerca de 60 metros de diâmetro e podem alcançar até 800 metros de altura, dimensões suficientes para comportar edifícios inteiros em seu interior.
Ao todo, mais de 60 cavernas estão distribuídas em quatro grandes complexos — Bryan Mound e Big Hill, no Texas, e West Hackberry e Bayou Choctaw, na Louisiana — com capacidade total superior a 700 milhões de barris. Todo o sistema opera de forma subterrânea: o petróleo é injetado e retirado por tubulações, utilizando água para empurrá-lo à superfície quando necessário, consolidando essas cavernas como verdadeiros cofres geológicos a serviço da estabilidade energética dos EUA.
Criadas após o choque do embargo árabe de 1973, quando a vulnerabilidade energética do país ficou evidente, levando o Congresso a aprovar, em 1975, uma lei que instituiu estoques governamentais de petróleo.
Elas foram acionadas em crises-chave — da Guerra do Golfo em 1991 aos furacões de 2005 e à instabilidade no Norte da África em 2011 —, mas o uso mais marcante ocorreu em 2022, com a liberação recorde de cerca de 180 milhões de barris após a invasão russa da Ucrânia, medida que ajudou a conter os preços dos combustíveis, embora tenha levado a reserva ao menor nível em 40 anos.
Uma análise do Departamento do Tesouro dos EUA estimou que, no grande episódio de 2022, a liberação coordenada de petróleo da SPR e de reservas de países parceiros da Agência Internacional de Energia (IEA) ajudou a reduzir o preço da gasolina nos EUA em cerca de US$ 0,17 a US$ 0,42 por galão.
Desde 2023, os EUA tentam recompor lentamente a Reserva Estratégica de Petróleo, com compras graduais até 2026, mas os estoques seguem bem abaixo da capacidade máxima devido ao uso intenso recente e à volatilidade do mercado global.
Tiago Cesar Miguel Kapp
Empresário e Estudante Universitário Olímpia.