Reflexão sobre educação
No programa de educação deve estar incluída a melhoria da qualidade de vida das famílias

“A escola está inserida em uma área vulnerável. Grande parte dos alunos tem histórico de abandono efetivo ou vivem em contexto de violência doméstica, o que se reflete em atos de indisciplina. Os professores estão esgotados”. Ora, tudo tem a ver com um modelo de educação de qualidade, pois os bem educados nas fases da infância e adolescência não estariam morando numa área vulnerável. A vulnerabilidade de uma área residencial decorre da ausência da educação, na época em que os pais deveriam frequentar escolas, mas impossibilitados em face da carência e da necessidade em suplementar a renda familiar. No meu entendimento, quando os pais permanecem na periferia da educação, certamente, seus filhos também permanecerão. O abandono efetivo, atos de violência doméstica ou atos de indisciplina correspondem ao efeito colateral da ausência de educação de qualidade.
No ano de 1998, eu, na condição de educador ambiental, fui até uma escola para ministrar o Programa Beija-Flor que era composto por 10 horas-aula. No final de décima aula, eu entregava os certificados aos alunos participantes. Chamou-me a atenção dois alunos, esses, após receberem os certificados perguntaram se estavam liberados. Respondi que sim e, os parabenizei pela participação, ainda que tivessem tentado tumultuar as aulas. Na porta de saída, eles rasgaram em pedacinhos os certificados. Naquele momento, eu pensei que havia fracassado com a turma, mas refleti e avaliei que obtive sucesso, pois de trinta alunos apenas dois mostraram rebeldia. Numa outra escola, o professor tentava me apresentar à classe e dava ênfases ao programa de educação ambiental. Infelizmente, eu diria que o estresse do professor ultrapassava os limites do aceitável, ou seja, ele não aguentava mais aquela realidade. Os alunos não permitiam a fala do professor.
Caros leitores, os exemplos a serem citados são muitos, mas os dois apresentados são suficientes para a reflexão com relação à crise ou críticas quanto a qualidade da educação. Na atual conjuntura, ainda que antiga, eu ressalto ao governo municipal sobre a necessidade de se avaliar a condição de vida das famílias que residem nas áreas vulneráveis. Explico: se a qualidade de vida é precária de nada adiantará a frequência nas escolas, ou seja, no programa de educação deve estar incluída a melhoria da qualidade de vida das famílias. Por fim, todas as cidades deveriam criar programas de orientação social, isto é, verificar a carências e buscar soluções, uma vez que a população pobre subsiste nos arrabaldes dos direitos fundamentais. Em tempo: se comparássemos o cinto de segurança com a política de educação disponibilizada, descobriríamos que ele está roto, ou seja, numa pequena freada, se rompe devido à fragilidade.
Jorge Gerônimo Hipólito
Terceiro sargento reformado da Polícia Militar do Estado de São Paulo-PMESP