Racismo: A Epidemia Silenciosa
A luta contra o racismo deve ser uma prioridade em nossa agenda social

O racismo não dá uma trégua. Mal começou o BBB e já tivemos uma prova de que essa chaga continua ativa em nossa sociedade. Este programa se tornou um termômetro social, revelando o quanto estamos atrasados nas discussões sobre gênero e raça. Não estamos sozinhos nesse problema; a ONU já identificou a violência de gênero como uma epidemia global, podemos dizer que com o racismo não é diferente.
Naquele caso observamos que, rapidamente, as redes sociais começaram a denunciar o comportamento racista de um dos participantes. Isso demonstra que a informação está circulando e que atitudes que antes eram facilmente aceitas, passando de forma sutil, hoje saltam aos olhos. O racismo se manifesta de maneiras discretas e, outrora, escandalosas. Aí é impossível não lembrar do caso de racismo envolvendo nosso vice-prefeito, que se aproxima de um ano sem qualquer sanção administrativa.
Em contrapartida, em um município próximo, um servidor foi exonerado por maltratar um cachorro da raça pitbull fora do horário de trabalho, gerando revolta na população. A diferença é que: enquanto crimes contra animais são punidos, nossos corpos ainda são violados.
Esse contraste nos leva a refletir sobre a luta diária que enfrentamos. Enquanto a sociedade se mobiliza para proteger os direitos dos animais, o que é legitimo, nós, que somos alvos de discriminação racial, continuamos a lutar por reconhecimento e respeito. É inaceitável que nossos corpos sejam tratados violentados.
A situação atual exige ação. Precisamos intensificar as discussões sobre racismo e gênero, não apenas nos espaços de entretenimento, mas principalmente nas esferas políticas e sociais. É fundamental que a sociedade tome consciência de que o racismo é uma questão sistêmica e que todos devemos nos mobilizar para combatê-lo.
Neste contexto, o mês da consciência negra não deve ser apenas uma data no calendário, mas um chamado à ação contínua. Precisamos lutar todos os dias para garantir que nossos direitos sejam respeitados e que o racismo não tenha espaço em nossa vida. A mudança começa na base.
Assim, a luta contra o racismo deve ser uma prioridade em nossa agenda social. Que possamos, finalmente, valorizar todos os corpos, independentemente de sua cor ou origem. Somente assim poderemos avançar rumo a uma sociedade verdadeiramente justa e inclusiva, e normalizar a presença desses corpos em qualquer lugar.
Dra. Claudionora Elis Tobias
Presidente do Conselho Afro, diretora OAB, líder do Comitê de Igualdade Racial Grupo Mulheres do Brasil - Núcleo de Rio Preto e membra do Coletivo Mulheres na Política