Comece hoje pagando a partir de R$5/mês no plano mensal
RADAR ECONÔMICO

Quando o presente vira desenvolvimento

por Luciano Impastaro
Publicado em 08/08/2026 às 18:11Atualizado em 08/08/2026 às 18:17
Luciano Impastaro (Divulgação)
Galeria
Luciano Impastaro (Divulgação)
Ouvir matéria

À primeira vista, o Dia dos Pais pode parecer apenas mais uma data comemorativa marcada pela troca de presentes. Para a economia, porém, seu significado é muito mais amplo. Observando segmentos específicos, a estimativa de que a celebração movimente R$ 42,6 milhões em Rio Preto neste ano mostra como decisões individuais de consumo, quando somadas, são capazes de produzir efeitos concretos sobre empresas, empregos e renda.

O levantamento realizado pelo Centro de Estudos Econômicos da Acirp indica que o comércio varejista de vestuário deverá concentrar R$ 26 milhões desse total. Bebidas, kits e destilados podem responder por R$ 7,8 milhões; perfumes e produtos de higiene pessoal, por R$ 6,2 milhões; e o varejo de calçados, por R$ 2,6 milhões.

Os números ajudam a dimensionar a data, mas não contam toda a história. A movimentação econômica do Dia dos Pais não começa quando o consumidor entra em uma loja nem termina quando o pagamento é concluído. Antes da venda, houve compra de mercadorias, contratação de fornecedores, planejamento de estoque, produção de campanhas, organização das vitrines, treinamento das equipes e negociação de meios de pagamento.

É por isso que uma data comercial deve ser compreendida como parte de uma cadeia econômica. O valor projetado circula por diferentes atividades e alcança negócios que nem sempre aparecem diretamente nas estatísticas da ocasião. Uma peça de roupa vendida envolve transporte, tecnologia, publicidade, atendimento, contabilidade e serviços bancários. Um kit preparado para presente pode reunir produtos de diferentes fornecedores e gerar demanda adicional para embalagens, personalização e logística.

Mais do que apontar um potencial de vendas, o Dia dos Pais oferece uma leitura sobre o início do segundo semestre. Trata-se de uma das primeiras oportunidades relevantes de consumo após o encerramento da primeira metade do ano e, por isso, funciona como um teste para o comércio. O desempenho da data ajuda empresários a observar o comportamento dos consumidores, o nível de sensibilidade aos preços, a procura por parcelamento e a disposição das famílias para realizar despesas não essenciais.

Essa leitura ganha importância porque os próximos meses concentram momentos decisivos para o varejo. Dia das Crianças, Black Friday e Natal exigirão estoques maiores, campanhas mais estruturadas e decisões comerciais tomadas com antecedência. O empresário que interpretar corretamente os sinais de agosto poderá chegar mais preparado ao período mais intenso do calendário.

Há ainda uma dimensão coletiva que não pode ser ignorada. Quando o consumidor compra em sua cidade, parte do recurso permanece circulando nela própria. Essa receita contribui para a manutenção de empregos, sustenta fornecedores locais, fortalece a arrecadação e amplia a capacidade de investimento dos negócios. Não se trata de defender o comércio local apenas por um argumento afetivo, mas por uma razão econômica objetiva.

Uma cidade economicamente forte depende da vitalidade de suas empresas. São elas que transformam consumo em trabalho, renda e oportunidades. Cada estabelecimento que vende mais pode ganhar condições para preservar sua equipe, contratar, ampliar estoques, investir em tecnologia ou melhorar sua estrutura. O impacto de uma compra, portanto, pode ultrapassar o benefício imediato de quem vendeu e de quem recebeu o presente.

O levantamento do Centro de Estudos Econômicos da Acirp foi construído a partir de dados públicos da Receita Federal e da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, considerando fatores como faturamento médio dos setores, número de empresas e arrecadação de impostos. A projeção não representa uma promessa, mas uma referência econômica para que empresas e consumidores compreendam a dimensão da data.

O potencial existe. Transformá-lo em resultado dependerá da capacidade do empresariado de planejar, comunicar e atender bem. Também dependerá de uma escolha cotidiana da população: reconhecer que o lugar onde compramos ajuda a definir a economia que construímos. O Dia dos Pais será celebrado em família, mas seus efeitos alcançarão toda a cidade. Os R$ 42 milhões estimados não representam apenas presentes entregues. Representam empresas em atividade, profissionais trabalhando e recursos circulando. Mais do que uma oportunidade de venda, a data é uma demonstração de como o consumo consciente e o empreendedorismo local podem fortalecer Rio Preto.

Luciano Impastaro

Diretor do Centro de Estudos Econômicos da Acirp