Quando a omissão é aliada à corrupção
O grande erro do eleitorado rio-pretense está na omissão pós-pleito

O silêncio que ecoa nas galerias da Câmara Municipal de Rio Preto contrasta, de forma dolorosa, com o barulho ensurdecedor das campanhas eleitorais. Durante o período de caça aos votos, as ruas dos bairros ganham uma energia contagiante.
A conquista de um jogo de camisas para o time de futebol, a promessa de uma vaga na UBS próxima de sua casa ou o open bar de promessas nas festas de comitê se justifica pelo voto. Há uma efervescência democrática na superfície, mas que se revela rasa e imediatista após a apuração das urnas.
O grande erro do eleitorado rio-pretense está na omissão pós-pleito. A comunidade que se uniu em prol da miséria assistencialista desaparece quando o vereador eleito assume o seu papel constitucional: legislar com seriedade e, acima de tudo, fiscalizar o Poder Executivo.
O fervor da campanha não se repete na hora de ocupar as sessões plenárias para exigir a abertura de uma CPI legítima ou para pressionar o voto na abertura de uma ação de improbidade administrativa para investigar o atual prefeito.
Nesse vácuo de cobrança popular, instala-se o balcão de negócios. E alguns vereadores, outrora tão acessíveis, trancam-se em gabinetes para costurar acordos em benefício próprio. A fiscalização que deveria ser rigorosa é sepultada por cargos comissionados e emendas parlamentares. Essa é a política do "toma lá, dá cá", que opera em sua máxima potência e já é conhecida pela população, onde os interesses da sociedade são preteridos em nome da blindagem mútua entre o prefeito e sua base aliada.
O preço dessa anestesia social cobra um juro altíssimo. Aquela vaga na UBS, conquistada a duras penas na base da promessa de campanha, apaga-se e perde o sentido diante da fiscalização corrompida que fecha os olhos para contratos milionários e possíveis desvios de verbas na saúde pública e outras.
O posto de saúde do bairro continua sem médicos e sem remédios, porque um grande esquema de corrupção já está instalado, tolerado por aqueles eleitos para zelar, que são omissos, e assistem à sangria dos cofres municipais em benefício próprio.
Realidade que representa um desrespeito frontal ao bolso do cidadão rio-pretense. O imposto municipal (como o IPTU e o ISS), pago com suor e sacrifício pela população, transforma-se em combustível para o enriquecimento ilícito e à manutenção de privilégios, sem pudor nenhum.
Parabenizo os vereadores Renato Pupo, João Paulo, Montenegro e Pedro Roberto pela integridade aos princípios republicanos e democráticos no respeito ao voto de seus eleitores, independentemente da ideologia de seus partidos. Enquanto o eleitor de Rio Preto aceitar migalhas no período das eleições e se omitir no restante do mandato, para alguns vereadores o ambiente continuará sendo um puxadinho do prefeito, em que o voto do povo seguirá sendo vendido. A verdadeira democracia exige que a mesma disposição usada para pedir favores na campanha seja utilizada para exigir honestidade e transparência na gestão do dinheiro público.
Julio Cesar da Silva Bortolus
Empresário