Quando a dor chama, o amor responde
Uma mãe ama o filho independentemente da fé que ele professe

O estúdio é o mesmo, as câmeras, as luzes, o apresentador — tudo igual. Há pouco tempo, em dezembro, ele conduzia uma entrevista curiosa com o Papai Noel, símbolo de esperança infantil que insiste em sobreviver apesar do tempo, das dores e do mundo adulto. Hoje, porém, o clima é outro, não há trilha sonora, não há sorrisos ensaiados, há apenas silêncio, o apresentador ajeita os papéis, respira fundo e começa:
— Naquele dia falamos com um personagem que representa sonhos, hoje, recebemos alguém que carregou a própria esperança no ventre, com respeito e humildade, recebemos Maria, mãe de Jesus.
Ela entra sem alarde, sem coroa, sem trono, apenas presença, senta-se, e olha ao redor como quem conhece o nome e a vida de cada um na plateia.
— Muitos afirmam vê-la em diferentes lugares e tempos, é verdade que a senhora realmente aparece — e por quê — ou é simplesmente o coração humano que a procura?
Maria responde:
— Eu continuarei aparecendo sempre, como mãe, enquanto meus filhos sofrerem; onde houver sequer um filho em dor, ali eu estarei, às vezes como consolo, quando as forças acabam, às vezes como coragem, quando tudo parece impossível de continuar. Não apareço para provar nada, nem para convencer ninguém, apareço porque mãe não abandona. Se é o coração humano que me procura ou sou eu que me aproximo, pouco importa, quando a dor chama, o amor responde.
— Maria, muitos a chamam de mãe, outros a ignoram, dizem que foi uma mulher “normal”, não rezam ou não a reconhecem como mãe. Ainda assim, a senhora é mãe de todos?
O silêncio precede a resposta.
— Uma mãe ama o filho independentemente da fé que ele professe, da crença que tenha ou até mesmo de acreditar na própria mãe. O amor de mãe não nasce da aceitação, nasce do vínculo, muito pelo contrário: uma verdadeira mãe reza mais, pede mais, vela mais pelos filhos que não creem, porque sabe que são justamente eles que caminham mais sozinhos. Não amar porque não é reconhecida não é amor é troca e Eu amo quando creem, e amo ainda mais quando duvidam, porque amar é permanecer, mesmo quando o filho vira o rosto. Ser mãe é amar sem exigir fé em troca.
— Se pudesse deixar apenas uma mensagem a todos os seus filhos, qual seria?
Maria não levanta a voz, não cita dogmas, não impõe caminhos, Ela simplesmente diz:
— Amem-se, e cuidem uns dos outros antes que seja tarde; não esperem perder para aprender a valorizar; sejam abrigo, não julgamento; façam da vida do outro um lugar um pouco menos doloroso, se quiserem estar comigo, usem o rosário, ele é a ponte que nos une.
Ela faz uma pausa e conclui:
Em mim, sempre encontrarão conforto, aconchego, colo e proteção, foi assim que meu Filho viveu, e é assim que vocês continuarão vivendo Nele, e Eu, do céu, permanecerei de joelhos orando e intercedendo por todos vocês!
Gilson Ribeiro
Contador, cronista, poeta e membro da Academia Maçônica de Letras e Cultura do Noroeste Paulista.