Produtividade na Construção no Brasil: os caminhos para avançar
Estudos da CBIC e do McKinsey Global Institute indicam que, enquanto a indústria global avançou nas últimas décadas, a construção evoluiu lentamente

A construção civil ocupa posição estratégica na economia brasileira, tanto pela geração de empregos quanto pela entrega de habitação e infraestrutura. Quando comparada a outros setores industriais e a países que modernizaram seus processos, sua produtividade é mais baixa. O setor enfrenta dificuldades na formação de turmas para qualificação profissional, baixa conscientização dos trabalhadores sobre a necessidade de ganhos de eficiência e iniciativas ainda insuficientes das empresas para qualificar a mão de obra.
Estudos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e do McKinsey Global Institute indicam que, enquanto a indústria global avançou nas últimas décadas, a construção evoluiu lentamente. É uma realidade evidente no Brasil e que exige ação imediata. Entre as principais causas estão a fragmentação entre projeto, planejamento e execução, o predomínio de métodos construtivos tradicionais, a falta de padronização dos projetos e baixa qualificação profissional.
Nos últimos anos, porém, muitos sinais positivos vêm surgindo. Vejam exemplos que aparecem nas pesquisas da CBIC e do Sinduscon-SP como o crescimento do uso do Building Information Modeling (BIM) nos escritórios de arquitetura e engenharia, maior compatibilização entre as diversas disciplinas de projetos e crescente aplicação de novos sistemas construtivos. Esses avanços têm contribuído para reduzir retrabalhos, melhorar o controle de custos e ampliar a previsibilidade de prazos.
Entidades setoriais exercem papel relevante nesse processo. O Sinduscon-SP intensificou programas de formação de mão de obra em parceria com o SENAI. A Abrainc instituiu o Prêmio Produtividade #DoMesmoLado, que estimula a integração entre BIM, planejamento de obras, modularização e sistemas industrializados com muitos ganhos de eficiência.
Outro exemplo que se destaca é o sistema de paredes de concreto moldadas in loco com fôrmas metálicas e uso de kits elétricos e hidráulicos. Adotado em empreendimentos habitacionais de escala, permite elevada repetitividade, redução do ciclo de obras, baixo desperdício, redução de prazos e maior previsibilidade frente aos métodos convencionais.
A experiência internacional reforça esse caminho. No Reino Unido, o programa Transforming Infrastructure Performance incentiva padronização, uso intensivo de dados e construções pré-fabricadas. Na Alemanha e nos países nórdicos, a pré-fabricação e a construção modular são práticas consolidadas. Nos EUA, a adoção de Lean Construction, BIM 4D e 5D e soluções off-site gerou ganhos relevantes de produtividade, segundo o Boston Consulting Group (BCG). Japão, Coreia do Sul e China avançaram muito, combinando industrialização, automação e controle de processos.
O Brasil, precisa continuar acelerando esse movimento. Ampliar o uso de processos racionalizados de construção, intensificar o uso de sistemas consolidados como o drywall e steel frame, ofertar soluções industrializadas no varejo, qualificar a mão de obra e consolidar o planejamento em todas as fases do empreendimento são passos essenciais. A produtividade precisa se firmar como eixo estratégico da competitividade da construção nacional.
Rafael Luis Coelho
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Diretor Regional do SindusCon-SP e da Citz Desenvolvimento Imobiliário