Precisamos dos trens de passageiros
Retomar esse modelo é oferecer uma alternativa real para a população

A discussão sobre a retomada dos trens de passageiros em São Paulo não é apenas sobre transporte. É sobre dignidade, acesso e igualdade. Hoje, grande parte da população depende exclusivamente das rodovias para se deslocar, enfrentando custos altos e poucas alternativas. Isso limita o direito básico de ir e vir, principalmente para quem mais precisa.
Na região de São José do Rio Preto, perdemos o transporte ferroviário de passageiros em 1998, após a privatização da antiga Fepasa. Desde então, ficamos reféns de um modelo caro e sobrecarregado. Quem precisa viajar hoje depende de avião ou ônibus com tarifas elevadas. Com carro próprio, têm gastos com combustível, manutenção e pedágios. Para muitos, simplesmente não é viável.
O trem de passageiros sempre foi uma opção mais acessível e eficiente. Ele permite transportar um grande número de pessoas com menor custo por usuário, o que pode refletir diretamente no valor das passagens. Retomar esse modelo é oferecer uma alternativa real para a população, especialmente para trabalhadores, estudantes e famílias que precisam se deslocar entre cidades.
Outro ponto importante é o impacto nas rodovias. Hoje, vemos estradas congestionadas, com alto índice de acidentes e desgaste constante da infraestrutura. A volta dos trens ajudaria a reduzir esse fluxo, trazendo mais segurança para motoristas e passageiros, além de melhorar a logística de transporte na região.
Também não podemos ignorar a questão ambiental. O transporte ferroviário é menos poluente e mais sustentável. Em um momento em que se discute tanto o futuro das cidades e a preservação do meio ambiente, investir em trens é uma decisão alinhada com o desenvolvimento responsável.
É claro que a retomada exige planejamento, investimento e vontade política. Não é um projeto simples, mas é necessário. Precisamos pensar no futuro da mobilidade com seriedade. A volta dos trens de passageiros não é um retrocesso, é um avanço que pode transformar a realidade de milhares de pessoas.
Eduardo Tedeschi
Advogado e jornalista.