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ARTIGO

Por que escola e família estão exaustas?

O excesso de proteção rouba da criança a chance preciosa de amadurecer

por Solange Pescaroli
Publicado em 17/06/2026 às 21:38Atualizado em 17/06/2026 às 21:56
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Basta observar por alguns minutos o movimento diante do portão de uma escola para constatar muito mais do que o início de um turno letivo. Ali, sob nossos olhos, acontece uma transição invisível de responsabilidades.

Diante de rotinas profissionais estafantes, e da pressa que consome os dias atuais, uma pergunta urgente alcança pais e educadores: onde termina o papel da família e onde começa a missão da escola? Essa linha divisória tornou-se, perigosamente, tênue, revelando um esgotamento mútuo que pede uma resposta imediata e, acima de tudo, humana.

Antigamente, essa divisão parecia tecida por fios bem distintos, cada qual cumprindo sua função. De casa vinham os valores, a base moral e os limites; da escola, o conhecimento científico e a socialização.

Hoje, no entanto, a sobrecarga cotidiana e a inevitável culpa pela ausência fazem muitas famílias caírem na armadilha de delegar funções afetivas fundamentais, substituindo a convivência por telas ou compensações materiais. O reflexo direto disso deságua na sala de aula. Professores precisam atuar como mediadores de crises emocionais de alunos que, na maioria das vezes, não conseguem lidar com pequenas frustrações.

Para que essa engrenagem funcione, sem adoecer os envolvidos, é preciso sintonizar as forças dessas esferas. No ambiente doméstico, os pais precisam reassumir o protagonismo na formação do caráter e no estabelecimento de limites claros.

O excesso de proteção, como intervir para poupar o filho de uma nota baixa ou fazer a tarefa escolar por ele, com a intenção de que pareça perfeita, rouba da criança a chance preciosa de amadurecer. A presença e o limite são condições indispensáveis. Afinal, educar com empatia também exige a coragem de dizer "não" quando necessário.

Por outro lado, a escola expande os horizontes do aluno para além da família, formando o indivíduo para a sociedade. É nela que o conhecimento se conecta à ética e aos deveres coletivos, preparando-o para exercer a cidadania com autonomia. Ali também se aprende a conviver com a pluralidade, a respeitar e a acolher o erro como parte do aprendizado.

Dessa forma, escola e família não podem agir como lados opostos de um tribunal, mas sim como parceiras estratégicas que olham na mesma direção. O desenvolvimento saudável dos estudantes está diretamente ligado a essa cooperação, construindo um ambiente em que todos compartilham propósitos comuns e caminham juntos na direção dos mesmos objetivos.

Solange Pescaroli

Especialista em relacionamento escolar, fundadora da UMA Educação.