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ARTIGO

Por onde o amor começa

Ninguém consegue amar de verdade quando ainda não aprendeu a se amar

por Allana Cegarra
Publicado em 17/06/2026 às 21:38Atualizado em 17/06/2026 às 21:57
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Nunca se falou tanto em amor. E nunca se sofreu tanto por causa dele.

O sociólogo Zygmunt Bauman descreveu nosso tempo como uma era de modernidade líquida, e os relacionamentos não escaparam dessa fluidez. Em seu livro "Amor Líquido", ele retrata vínculos fluidos, descartáveis, substituíveis. Compromissos tidos como risco e amor duradouro, quase como utopia, desejado, mas difícil de construir hoje em dia.

Não é só teoria. A geração Z, a minha geração, está namorando menos do que qualquer outra na história recente. Pesquisa do Survey Center on American Life revelou que apenas 56% dos jovens da geração Z tiveram algum relacionamento na adolescência, contra 78% dos baby boomers. Somos a geração mais conectada de todos os tempos, e uma das mais solitárias. Mais seguidores, mais solidão.

E ainda assim, a maioria dos jovens continua sonhando com o amor verdadeiro. Não falta vontade de amar. Falta entender por onde ele começa.

O amor líquido falha porque foi construído sobre o consumo do outro, não sobre o cuidado com ele. Quando o outro deixa de satisfazer, é descartado. E ninguém consegue amar de verdade quando ainda não aprendeu a se amar.

A Bíblia apresenta uma ordem diferente: "Amarás a Deus sobre todas as coisas e o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22:39). Primeiro Deus. Depois você. Depois o próximo. Carência não é amor. Egoísmo não é amor. São feridas disfarçadas de sentimento.

Enquanto a modernidade oferece um amor líquido, efêmero, instável, que escorre pelos dedos, a Palavra apresenta um amor que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Coríntios 13:7). Um amor que desceu à terra, suportou a dor, a traição e a morte, e ressuscitou por nós. Não por merecimento. Por escolha.

"Nem a morte, nem a vida, nem o presente, nem o futuro nos poderá separar do amor de Deus." (Romanos 8:38-39). É este o único alicerce sobre o qual qualquer tipo de amor pode ser construído.

Hoje, independente de onde você esteja, num relacionamento, fora de um, de luto, ou simplesmente buscando, você já é amado pelo maior amor que existe.

E a pergunta que fica: por onde o amor começa? Por um Deus que nos ensina a nos colocar no lugar do outro e desejar o seu bem, o oposto da objetificação em busca do interesse pessoal que define o amor líquido.

Allana Cegarra

Advogada, assessora parlamentar federal e vereadora suplente.