Por onde o amor começa
Ninguém consegue amar de verdade quando ainda não aprendeu a se amar

Nunca se falou tanto em amor. E nunca se sofreu tanto por causa dele.
O sociólogo Zygmunt Bauman descreveu nosso tempo como uma era de modernidade líquida, e os relacionamentos não escaparam dessa fluidez. Em seu livro "Amor Líquido", ele retrata vínculos fluidos, descartáveis, substituíveis. Compromissos tidos como risco e amor duradouro, quase como utopia, desejado, mas difícil de construir hoje em dia.
Não é só teoria. A geração Z, a minha geração, está namorando menos do que qualquer outra na história recente. Pesquisa do Survey Center on American Life revelou que apenas 56% dos jovens da geração Z tiveram algum relacionamento na adolescência, contra 78% dos baby boomers. Somos a geração mais conectada de todos os tempos, e uma das mais solitárias. Mais seguidores, mais solidão.
E ainda assim, a maioria dos jovens continua sonhando com o amor verdadeiro. Não falta vontade de amar. Falta entender por onde ele começa.
O amor líquido falha porque foi construído sobre o consumo do outro, não sobre o cuidado com ele. Quando o outro deixa de satisfazer, é descartado. E ninguém consegue amar de verdade quando ainda não aprendeu a se amar.
A Bíblia apresenta uma ordem diferente: "Amarás a Deus sobre todas as coisas e o teu próximo como a ti mesmo." (Mateus 22:39). Primeiro Deus. Depois você. Depois o próximo. Carência não é amor. Egoísmo não é amor. São feridas disfarçadas de sentimento.
Enquanto a modernidade oferece um amor líquido, efêmero, instável, que escorre pelos dedos, a Palavra apresenta um amor que "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta." (1 Coríntios 13:7). Um amor que desceu à terra, suportou a dor, a traição e a morte, e ressuscitou por nós. Não por merecimento. Por escolha.
"Nem a morte, nem a vida, nem o presente, nem o futuro nos poderá separar do amor de Deus." (Romanos 8:38-39). É este o único alicerce sobre o qual qualquer tipo de amor pode ser construído.
Hoje, independente de onde você esteja, num relacionamento, fora de um, de luto, ou simplesmente buscando, você já é amado pelo maior amor que existe.
E a pergunta que fica: por onde o amor começa? Por um Deus que nos ensina a nos colocar no lugar do outro e desejar o seu bem, o oposto da objetificação em busca do interesse pessoal que define o amor líquido.
Allana Cegarra
Advogada, assessora parlamentar federal e vereadora suplente.