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ARTIGO

Política, poder e servidão

Vivemos, com o surgimento das tecnologias da informação, um tempo de servidão

por Luciana Bonosque Figueiredo
Publicado em 11/02/2026 às 00:11Atualizado há 5 horas
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O presidente Lula já disse que, se você pensa que todo político é bandido, por isso você se declara não gostar de política, que então seja você o político ideal, ou o político em quem você acredita. Este pensamento torna-se importante porque nos faz refletir sobre nossas ações e o modo como nos colocamos no mundo.

Nosso viver em sociedade é formado por direitos, consequência de ações políticas de todos nós, conscientes ou não, dessa condição, de modo que, ao nos distanciarmos da política, alguém irá agir por nós. Marilena Chaui, filósofa brasileira, coloca que a política não se resume ao voto nem às ações de governo, chamando nossa atenção para outras formas de ação política, essencialmente, ações de busca por direitos, pela manutenção dos existentes e pela criação de novos. De modo que ela nos convida ao exercício coletivo de alteração das condições de existência, através da participação em movimentos sociais.

Vivemos, com o surgimento das tecnologias da informação, um tempo de servidão, de dependência do que vem pelo celular, redes digitais e da tal IA, e estamos na condição de usuários dessas ferramentas, mas não de donos dessas tecnologias. Usuários que somos, estamos sob o ataque constante da desinformação, inclusive de milícias digitais que se organizam para destruir o que a política deve preservar, a democracia.

Como grupos que se organizam e agem através das plataformas de redes digitais, de aplicativos de mensagens, do uso de robôs, criação de perfis falsos, para espalhar fake news, propagar discursos de ódio, numa guerra aos opositores políticos, as milícias digitais nos usam como agentes dessa rede, causando um retrocesso civilizatório. Ficamos com a ilusão de estar atuando politicamente, com conhecimento de causa. E o que parecia ser um instrumento para dar conectividade, aproximar pessoas, dar agilidade de trabalho, passa a ser um destruidor das instituições democráticas, atuando, inclusive, por exemplo, na rotina de trabalho dos servidores de instituições públicas, a depender de quem elegemos para estar no comando de uma prefeitura.

Neste contexto, os movimentos sociais, de auto-organização, de reivindicação por direitos, na concepção de Marilena Chaui, seriam um modo de ação para, diante de necessidades comuns, dar corpo à democracia. Ao comungar dessa perspectiva, abrimos caminhos para a conquista de novos direitos, para a manutenção dos existentes e atuamos politicamente, pois “quem não se movimenta não sente as correntes que o prendem”.

Luciana Bonosque Figueiredo

Pedagoga, compõe o “Coletivo Mulheres na Política”.