CONJUNTURA

PIB, crescimento razoável

A produtividade da economia brasileira está praticamente estagnada, avançando apenas 0,2%; dessa forma, o PIB não cresce de forma sustentável

por Hipólito Martins Filho
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Hipólito Martins Filho (Hipólito Martins Filho)
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O Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país em um determinado período, desacelerou e fechou com alta de 2,3%, menor taxa em cinco anos. O valor do PIB é de R$ 12,7 trilhões, e a economia perdeu fôlego principalmente em função das altas taxas de juros para conter a inflação.

Não é um número ruim, mas precisamos sair da armadilha da renda média. Em 2026 teremos incertezas com guerras e eleições, que podem manter os juros altos e afetar preços.

O país confirmou o quinto ano consecutivo de alta. Estima-se que a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 e o aumento nos gastos estaduais no ano eleitoral podem contribuir para um PIB satisfatório neste ano.

A desaceleração do PIB foi até que razoável em função da alta dos juros, que dificultam o consumo e os investimentos produtivos. Em 2025, o nível de investimento foi de 16,8% , frente à média mundial de 21,5%, e este talvez seja um dos maiores problemas da nossa economia.

A agropecuária, que cresceu 11,7% no ano passado, sustentou o PIB. No quarto trimestre do ano passado, a economia praticamente permaneceu estagnada, com taxa positiva de 0,1% frente aos três meses imediatamente anteriores.

Os serviços, que são o principal motor da economia, cresceram apenas 1,8%, e a indústria, 1,4%. Já a indústria extrativa fechou 2025 com alta acumulada de 8,6% ante 2024.

Ocorreu crescimento da extração de petróleo e gás. A indústria de transformação (fábricas) continua mal e teve uma variação negativa de 0,2%.

Houve uma queda no consumo das famílias, apesar de ter crescido 1,3% em 2025, mas abaixo de 2024 (5,1%). A recuperação do emprego e da renda ajudaram o consumo, mas as altas taxas de juros e o endividamento das famílias fizeram com que os gastos fossem menores.

Por outro lado, o consumo do governo cresceu 2,1%, praticamente o mesmo nível do ano anterior. As exportações também contribuíram para o PIB positivo: aumentaram 6,2% no ano passado, acima dos 2,8% de 2024.

O Boletim Focus do Banco Central projeta um PIB de 1,8% em 2026. Caso as estimativas se confirmem, o PIB terá crescimento de 2,8% em média no governo Lula.

É um PIB razoável, mas temos potencial para crescer bem mais. Não tem como ter um PIB sólido, constante e agregar valor sem passar por melhorias na qualidade da educação, investir em infraestrutura, aumentar a produtividade, ampliar a abertura comercial, simplificar o sistema tributário e consolidar as nossas instituições.

Faz-se necessário melhorar a qualidade de vida das pessoas. Só estatísticas, apesar de importantes, não trazem felicidade nem matam a fome. O nosso PIB per capita é baixo em relação aos países desenvolvidos, inclusive a alguns emergentes.

Qual é o nosso PIB potencial? Quanto podemos crescer sem gerar inflação? Isso pode ser estimado pelo crescimento da força de trabalho e pelo avanço da produtividade.

A produtividade da economia brasileira está praticamente estagnada: avançou apenas 0,2%. Dessa forma, o PIB não cresce de forma sustentável.

A nossa população está envelhecendo, com menos gente ingressando no mercado de trabalho ao longo do tempo. O crescimento potencial tende a diminuir ainda mais se a produtividade não avançar.

Não tem como crescer de forma sustentável com inflação elevada, juros altos e sem melhorar a eficiência. Somente tendo uma agenda de desenvolvimento é que teremos empregos, aumento da renda e estabilidade dos preços.

Ou focamos no que tem que ser feito, ou continuaremos crescendo com desequilíbrios: a galinha não vai voar.