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ARTIGO

Orgulho autista: respeito, escuta e compromisso público

O Dia do Orgulho Autista é também um chamado à responsabilidade pública

por Frederico Afonso Izidoro
Publicado em 19/06/2026 às 18:17Atualizado em 19/06/2026 às 18:21
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Em 2 de abril, falamos sobre conscientização do autismo. Em 18 de junho, a mensagem é outra, complementar e igualmente necessária: orgulho autista. A data não ignora as dificuldades vividas pelas pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e por suas famílias. Ao contrário, afirma que ninguém deve ser reduzido a um diagnóstico, a uma limitação ou ao preconceito.

São José do Rio Preto conhece essa realidade de perto. O autismo tem rosto, nome, endereço, escola, unidade de saúde, família e história. Está nas crianças que precisam de apoio para aprender, nos jovens que buscam pertencimento, nos adultos que muitas vezes passaram anos sem diagnóstico e nas mães, pais e cuidadores que reorganizam a própria vida para garantir cuidado, proteção e futuro.

Por isso, o Dia do Orgulho Autista é também um chamado à responsabilidade pública. Orgulho, aqui, significa respeito. Significa escuta. Significa reconhecer potencialidades, assegurar direitos e construir uma cidade em que a diferença nunca seja motivo de exclusão.

Nos últimos meses, reunimos poder público e sociedade civil em torno das políticas municipais voltadas às pessoas com TEA. Desse trabalho nasceu a proposta do Estatuto Municipal de Proteção e Inclusão da Pessoa com TEA, que hoje cumpre a necessária análise técnica na Procuradoria-Geral do Município.

Sabemos que um Estatuto, sozinho, não resolve todas as dificuldades, mas ele organiza caminhos, estabelece diretrizes e afirma uma prioridade: saúde, educação, desenvolvimento social, esporte, cultura e demais áreas precisam atuar de forma integrada. Nenhuma família rio-pretense deve peregrinar sozinha em busca de acolhimento, orientação e atendimento.

A mensagem é simples: São José do Rio Preto respeita as pessoas autistas, reconhece suas famílias e seguirá trabalhando para transformar escuta em política pública, diagnóstico em cuidado, matrícula em inclusão e direitos em realidade.

Uma cidade justa não exige que todos sejam iguais. Ela aprende a cuidar melhor de cada pessoa.

Frederico Afonso Izidoro

Secretário Municipal dos Direitos Humanos e da Cidadania. Professor de Direitos Humanos e Ciência Política, escritor jurídico, advogado licenciado.