O xadrez de Gilberto Kassab
O objetivo não seria vencer a eleição, mas consolidar o PSD como uma força incontornável

O cenário para a eleição presidencial está sendo desenhado com movimentos estratégicos que transcendem as candidaturas óbvias. No centro deste tabuleiro está Gilberto Kassab (PSD), um articulador conhecido por sua capacidade de construir alianças e se posicionar de forma central no poder. Sua mais recente manobra, a filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao partido, adiciona complexidade a um quadro que já contava com os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS) como presidenciáveis. A presença de 03 governadores de peso no mesmo partido para uma única vaga sinaliza que a estratégia pode ser mais ampla do que simplesmente eleger um deles.
Essa movimentação é vista como a construção de uma fortaleza partidária. O objetivo não seria vencer a eleição, mas consolidar o PSD como uma força incontornável, capaz de definir o resultado. Uma das teses discutidas nos bastidores aponta para um objetivo maior: oferecer ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, uma plataforma robusta para uma eventual candidatura. Tarcísio enfrenta o desafio de equilibrar o apoio de sua base política com as expectativas do mercado financeiro e de setores da centro-direita. Uma candidatura com o PSD poderia lhe permitir dialogar com um espectro mais amplo do eleitorado, posicionando-se como uma via de moderação.
Contudo, a política é feita de cenários alternativos. Um deles, seria posicionar-se como vice em uma chapa encabeçada pelo presidente Lula, caso Tarcísio fuja da raia. Importante lembrar que a política brasileira já viu alianças pragmáticas se formarem, como a que uniu Lula a Geraldo Alckmin em 2022. Nesse arranjo, Kassab ofereceria governabilidade, trânsito no Congresso e uma ponte com o setor produtivo, elementos valiosos para qualquer governo.
Um terceiro cenário, talvez o mais pragmático, seria o PSD lançar um candidato próprio no primeiro turno para que se torne o "fiel da balança" em uma provável segunda etapa. Em uma disputa polarizada, o apoio do partido se tornaria um ativo decisivo, a ser negociado no futuro governo, garantindo a participação em ministérios e postos estratégicos.
Independentemente do desfecho, a estratégia de Kassab posiciona o PSD como um protagonista central. Ao reunir lideranças de diferentes matrizes, ele constrói um partido com múltiplas vertentes, capaz de dialogar com quase todos os campos políticos. Em 2026, qualquer que seja o movimento no tabuleiro, a mão de Gilberto Kassab estará, muito provavelmente, dando o xeque-mate.
Lawrence Garcia
Um enxadrista amador.