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O risco de correr em janeiro

Não existe crescimento consistente sem operação bem montada

por Marcelo Poli
Publicado há 18 horas
Marcelo Poli (Divulgação)
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Janeiro sempre me faz olhar para o mercado de franquias com uma mistura de alerta e esperança. Depois de tantos anos formatando redes pela RZD e acompanhando de perto o crescimento de marcas como Seguralta, Bella Capri, Mineiro Delivery, Amo Vacinas, entre outras, aprendi que o início de ano não combina com decisões impulsivas. É um período ótimo para planejar, mas péssimo para romantizar o nosso franchising.

Vejo muita gente chegando com pressa e achando que a franquia resolve tudo. Não resolve, não. Franquia funciona quando existe método, rotina, operação sólida e gente disposta a dedicar tempo e energia ao negócio. Isso vale tanto para o franqueado quanto para o franqueador. Quando um dos lados falha, o sistema inteiro sente.

Sempre digo que a primeira análise é financeira, e não emocional. É entender se o investidor tem fôlego para atravessar o período de maturação e se o franqueador tem estrutura para dar suporte. Não existe crescimento consistente sem operação bem montada. E isso é bem menos glamoroso do que parece. É processo, revisão, treinamento, acerto fino e repetição diária.

Nesta época do ano, costumo fazer uma revisão sincera do que poderia ter sido melhor. Metas que não fizeram sentido, modelos que precisaram ser ajustados, redes que só cresceram quando aceitaram encarar a realidade do dia a dia. O franchising premia quem enfrenta os números e trabalha com eles, não quem tenta forçar resultados.

Para quem está pensando em comprar uma franquia agora, a recomendação é simples. Olhe o território, converse com franqueados, entenda margens, pergunte sobre sazonalidade. E avalie sua disposição de estar presente. Franquia dá certo com gestão de verdade. Não funciona no piloto automático.

Para quem quer transformar o próprio negócio em uma rede, o cuidado é ainda maior. Formatar uma franquia não é empacotar uma ideia. É construir um modelo replicável, capaz de ser entendido e aplicado por pessoas diferentes, em cidades diferentes. Isso exige clareza, humildade e disciplina. Exige também acompanhar de perto quem está na ponta. Franqueado não é comprador de produto. É alguém que embarca no seu projeto e espera reciprocidade.

Inicio o ano novo com a mesma convicção de sempre. O franchising continua sendo um caminho sólido para crescer. Mas só funciona para quem encara o processo com responsabilidade. O mercado não perdoa atalhos. E também não precisa deles. Quem constrói com calma colhe longevidade. Mesmo em um ano desafiador, continua valendo a regra que aprendi lá atrás. Crescimento é resultado. Nunca é ponto de partida.

Marcelo Poli

Advogado, especialista em franchising