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ARTIGO

O poder silencioso da maturidade feminina

Essa mulher sabe o que quer. E sabe dizer não ao que consome energia sem devolver sentido

por Josiane Amoriele
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
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Existe uma narrativa antiga — e profundamente injusta — que associa o passar do tempo feminino à perda: de espaço, de brilho, de importância. Durante décadas, essa história foi repetida com tanta naturalidade que acabou sendo aceita como verdade. Mas ela nunca foi. E hoje está definitivamente em ruínas.

Mulheres acima dos 50 vivem um momento de revelação. Não de recuo. É nessa fase que muitas deixam de atuar para agradar expectativas externas e passam a agir a partir de escolhas conscientes. A maturidade traz algo raro: a coragem tranquila de ser quem se é — e de não pedir desculpas por isso.

Essa mulher sabe o que quer. E, principalmente, sabe dizer não. Não ao que consome energia sem devolver sentido. Não à conversa fiada. Não às imposições disfarçadas de opinião. Não à ideia de que ainda precisa se explicar, se justificar ou se moldar. Seu “não” não é rigidez. É limite. É clareza. É respeito por si mesma.

Ela carrega repertório emocional, visão crítica e uma percepção mais refinada da vida. Já atravessou perdas, mudanças, reinícios. Por isso, não se deslumbra com pouco e não se submete ao que não faz sentido. Escolhe com critério. Ocupa espaços com consistência, não com barulho.

Há uma potência silenciosa nessa etapa da vida. Um tipo de beleza que não se constrói no espelho, mas na postura. Um charme que nasce da coerência entre discurso e atitude. É a soma da história vivida com a liberdade conquistada. Nada ali é improviso — tudo é escolha.

Cada mulher segue no seu ritmo. Algumas empreendem, outras reinventam a carreira, outras mudam de cidade, de relação, de perspectiva. O ponto comum não é o caminho, mas a lucidez. A curiosidade permanece viva. O desejo de aprender não se apaga. E a vontade de viver com mais verdade se impõe.

Quando se fala em energia, não se fala de corpo. Fala-se de presença. De vitalidade emocional. De uma força que não se mede em anos, mas em consciência. Essa mulher não disputa juventude — ela sustenta identidade. E isso é infinitamente mais poderoso.

O fato é simples, ainda que desconfortável para alguns: mulheres acima dos 50 não estão no fim de nada. Estão, muitas vezes, no início da fase mais autêntica de suas vidas. Aquela em que não precisam provar valor, porque já o reconhecem em si.

Talvez seja isso que incomode tanto. Porque uma mulher que sabe quem é — e que aprendeu a dizer não com serenidade — muda o ambiente ao redor. O maior poder da maturidade feminina não está no que ela aceita. Está no que ela recusa.

Josiane Amoriele

Publicitária com especialização em Comunicação e Marketing. Ex-secretária de Comunicação Social de Rio Preto.