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O País nasceu podre-2

Enquanto para os EUA foram pessoas com intenção de se fixar, nós recebemos outro tipo de gente

por Laerte Teixeira da Costa
Publicado há 12 horasAtualizado há 12 horas
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Ao seguir para as Índias em 2/5/1500, Cabral deixou condenados no Brasil. Registram-se Afonso Ribeiro, dois degredados e dois grumetes, estes fugitivos que nunca mais foram encontrados. No livro de Vianna Moog (Bandeirantes e Pioneiros), há interessante comparação entre o início dos Estados Unidos e do Brasil. Enquanto para lá foram pessoas com intenção de se fixar, nós recebemos outro tipo de gente.

A primeira expedição exploratória, entre 1501 e 1502, tinha a bordo o lendário navegador italiano Américo Vespúcio. É dele a constatação de que se tratava de um mundo novo, contrariando a visão de Colombo. Saiu de Natal (RN) e chegou ao Sul do Brasil. Seus primeiros mapas localizavam pontos da costa brasileira, denominados segundo a cronologia religiosa. Caso do rio São Francisco, batizado em 4/10/1501.

Essa expedição apontou na direção da extração de riquezas. Notou-se que um tipo de árvore teria boa demanda na Europa. Iniciava-se o Ciclo do Pau Brasil. Foi tão devastadora a derrubada dessas árvores (70 milhões de pés) que elas correram o risco de extinção e precisaram ser protegidas.

Os sistemas de extração e exportação do Pau Brasil eram complicados. Exigiam logística em terra e no mar, porém muito lucrativo. Levou à cobiça de outras nações, principalmente da França. Aí nasceu outro tipo de negócio que não nos abandonaria nunca: o contrabando. Hoje, a pirataria e o contrabando causam ao país, anualmente, prejuízos em torno de 500 bilhões de reais.

Parênteses para dizer que outros costumes também jamais nos largariam: a devastação das florestas e a ocupação de áreas brutas. Sem critérios (concedidas, doadas ou ocupadas), selvas, pantanais, caatingas, campos e serrados foram, e continuam sendo, comprometidos. Possuímos áreas em processo de desertificação.

Nunca esquecer que a escravidão começou nessa época e os primeiros africanos vieram com Martim Afonso de Souza. Foi a base para o segundo ciclo econômico: a produção de açúcar. Página vergonhosa, vigorou por mais de 300 anos e seu término causou a derrubada do Império.

Outros estudos mostram que se o Brasil tivesse continuado e aperfeiçoado a sua monarquia, provavelmente a única da América, certamente teria um governo mais barato do que a atual República, corroída pela elite predatória que não se modificou ao longo da nossa curta história. Pau que nasce torto...

Laerte Teixeira da Costa

Vice-presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e ex-vereador em Rio Preto.