O MUNDO EM 2050!
Acho que a questão etária trará grandes desafios de arrecadação para o INSS, sem contar a necessidade de combater a solidão estrutural que surgirá

Como será o mundo em 2050? Quais serão os principais desafios a serem enfrentados? E o Brasil, como reagirá às radicais e aceleradas mudanças que vêm ocorrendo?
Veremos aqui algumas opiniões e previsões. É lógico que nem tudo será assim; poderá ser melhor ou pior, vai depender das políticas adotadas pelo governo de cada país. Vários desafios foram citados; o principal foi o envelhecimento da população.
Analistas foram convidados a apontar as tendências na economia do planeta em 2050. A preocupação real é com o envelhecimento da população; esta será uma das forças disruptivas da economia global. As famílias estão cada vez menores e mulheres tendo filhos cada vez mais tarde, ou simplesmente não tendo, afirma Michael França, economista pela Universidade de São Paulo (USP) e professor do Insper.
Isso levará a uma redução acelerada da população economicamente ativa, refletindo no mercado de trabalho, com escassez de mão de obra, pressão fiscal, problemas no sistema público de saúde e necessidade de rever as estruturas das grandes cidades.
Já Braulio Borges, mestre em Economia pela USP, vê três grandes temas que devem ter impacto forte e podem interagir entre si: mudanças demográficas, elevado nível de endividamento público de boa parte dos países e os efeitos crescentes das mudanças climáticas sobre a economia.
Entendo que estratégias políticas terão que ser elaboradas para amenizar o envelhecimento, com a tecnologia como instrumento para mudar o Brasil e o mundo. A inteligência artificial (IA) será a força estrutural que mudará o mundo até 2050. Sem a força das instituições que determinam se um país consegue transformar tecnologia em produtividade e produtividade em prosperidade, o mundo não andará.
Acho que a questão etária trará grandes desafios de arrecadação para o INSS, sem contar a necessidade de combater a solidão estrutural que surgirá — ou melhor, que já está aí. A solidão estrutural leva a vários problemas, como a queda da natalidade e a dependência ainda maior da tecnologia.
É verdade que estamos mais conectados, mas há menos relações estáveis, menos filhos e as redes de apoio e convívio não atendem adequadamente. Aí a tecnologia colocará mais robôs, mais automação e “companheiros” artificiais para suprir a falta de pessoas e cuidados.
A possibilidade de o INSS estar arruinado em 2050 é real. Algum banco privatizará o sistema de proteção social do país. Vários fatores explicam isso: crescimento da pirâmide demográfica, redução de celetistas, expansão da uberização [correção de grafia] e pejotização, é o que pensa Rômulo Saraiva, advogado e especialista em previdência.
Já para Solange Srour, Roberto Campos Neto e Débora Bizarria, a IA será o ponto central da economia global em 2050. “O futuro do sistema financeiro será moldado pela convergência do open finance, tokenização, programabilidade do dinheiro e inteligência artificial. A IA será o principal vetor de transformação econômica e social; vai redefinir o mercado de trabalho.”
As questões climáticas estarão nessa agenda para 2050; ou enfrentamos o problema ou nossas vidas serão mudadas para sempre. Estima-se também que as economias asiáticas serão cada vez mais importantes para o cenário mundial, com cadeias de produção globalizadas.
O Brasil, em 2050, terá uma população estimada em 260 milhões de pessoas; será a quinta maior economia do mundo, com um PIB per capita de US$ 7,5 mil.
Sentiremos todos os reflexos dessas mudanças e, na minha análise, vejo alguns problemas que teremos em 2050 — aliás, de alguma forma, já estão presentes. Entre eles, temos a desigualdade social, a questão da previdência, o déficit público que vem crescendo significativamente, o envelhecimento acelerado da população, o crime organizado que começa a se enraizar nas instituições públicas e privadas e a questão climática.
Precisamos correr; 2050 é daqui a alguns dias.