O futuro dos shopping centers
O mundo está passando por mudanças impensáveis há décadas; a sinergia entre o comércio de prateleira e o eletrônico é inevitável e necessária

Os shoppings estão passando por transformações marcadas pela pandemia. Estão enfrentando desafios com falta de mão de obra, estão virando espaços de experiência e consumo será um efeito.
Hoje, o Brasil tem 658 shopping centers em operação. Percebe-se que os shoppings estão se transformando em centros de experiência e serviços, mais do que templos de consumo. Isto não quer dizer que não continuam sendo um bom negócio, mas precisam estar atentos às mudanças que estão ocorrendo.
O setor teve que lidar com os obstáculos da pandemia, com o avanço irreversível do e-commerce e, agora, temos a discussão da mudança da jornada de trabalho 6x1. Em 2026, teremos a Copa do Mundo, ano eleitoral, conflitos internacionais, endividamento das famílias e juros altos, fatores que tiram o ânimo do consumidor para as compras.
Uma das saídas é passar a comercializar, de forma digital, lojas, quiosques e espaços de mídia. É lógico que cada shopping tem suas características e públicos-alvo. Não é o fim deste setor, muito longe disso, mas as adaptações são urgentes, não só na forma de comercialização e logística, mas também para lidar com o perfil de um novo público jovem que está atrás de novas experiências.
Outra saída é a interiorização dos shoppings, buscar cidades com pouca oferta deste tipo de comércio, principalmente aquelas onde o agronegócio é forte. O e-commerce consolidou-se, vemos a entrada de grandes players internacionais no Brasil, isso vai obrigar o setor a se reinventar, vai ser assim não só neste setor, mas em todos que queiram continuar competitivos.
O mundo está passando por mudanças impensáveis há décadas, e a velocidade na qual isso está ocorrendo assusta. A sinergia entre o comércio de prateleira e o eletrônico é inevitável e necessária.
O varejo convencional tende a ter uma ABL (área bruta locável) cada vez menor, o setor terá que agregar atividades que hoje têm pouca participação no mix de lojas, mas que vão crescer, como serviços de saúde, beleza, hotéis, enfim, para segurar e garantir a presença física do consumidor.
Um dos segmentos que mais têm crescido é o de saúde. Os shoppings que têm projetos de hotelaria, ensino, gastronomia (vai passar por transformações significativas) e os chamados projetos multiuso, como coworkings, junto com o segmento da beleza, são os que têm crescido muito.
O empresário do setor, Hélcio Povoa, diz que o que está ocorrendo é uma readequação do próprio mercado, as mudanças são necessárias e sempre ocorrerão. Segundo ele, o consumo não será o principal motivo de ir ao shopping daqui a pouco. Você vai para outra experiência e acaba consumindo.
Os varejistas dependem também de fatores que fogem de sua área de atuação, como a alta taxa de juros e o endividamento das famílias, problemas que não se resolvem em 60 dias.
O que está claro é que o shopping não será só o varejo, será um complexo comercial e de lazer, com muita gastronomia. O shopping caminha para ser um hub de diversas atividades.
O futuro deste setor é dinâmico e inovador. A tendência é passar por experiências imersivas, integração digital e física e sustentabilidade. Deverão investir em energia solar, materiais recicláveis e gestão de resíduos.
Novas tecnologias, espaços multiuso, lojas pop-up e showrooms, lojas temporárias e interativas se tornarão mais comuns, promovendo lançamentos e produtos exclusivos.
Sabemos da importância e da bússola que o consumidor é para qualquer empreendimento, eles não aceitam mais cardápios prontos.