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ARTIGO

O exemplo que vence a morte

A vida é curta e só existe algo que pode nos tornar eternos — o exemplo

por ​​​​​​Gilson Ribeiro .
Publicado em 13/04/2026 às 21:32Atualizado em 13/04/2026 às 21:34
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A morte tem muitos nomes, muitas formas; para uns ela chega vestida de negro empunhando uma foice, para outros é silenciosa como Azrael, o anjo que colhe as almas com mãos firmes e sem pressa, para outros, vem com a cabeça de chacal de Anúbis, conduzindo o espírito para ser julgado pela eternidade por Osíris; mas seja qual for o nome ou a forma, ela é apenas uma ponte — nunca o fim.

Curioso é notar que o ser humano, desde tempos imemoriais, tenta escapar dela, buscando fórmulas da juventude, avanços da medicina, tecnologia que promete prolongar a existência, e eis a questão: — Pra que? Será que ainda não aprendemos que não somos daqui? Tudo aqui é efêmero e se fazemos isso é só para ganhar mais tempo, como se o tempo... Ah o tempo, por si só, fosse suficiente para vencer o esquecimento.

Mas há uma verdade simples e inevitável de que a vida é curta, é impermanente, e, ainda assim, só existe algo que pode nos tornar eternos — o exemplo. Não falo aqui da fama vazia ou das grandes conquistas materiais, falo daquilo que deixamos gravado na alma dos outros, seja um gesto de compaixão; um conselho dado na hora certa; uma palavra que curou; uma postura íntegra mesmo quando ninguém estava olhando, essas são as pegadas que não se apagam.

Filhos que repetem nossas virtudes não pela lembrança, mas pelo respeito; irmãos que nos lembram com admiração; pessoas que sequer nos conheceram, mas que se beneficiam do bem que fizemos, isso é legado, isso é o que atravessa o véu da morte.

A morte é certa, inevitável, e quando chega não tem volta, não tem — Mais um pouco, não tem — Ainda não é hora; ela vem implacável e nos abate, mas não destrói o legado que construímos, por isso digo: — Pra que vaidade? Pra que rancor, ódio e mágoa? Se a efemeridade da vida nos lembra, todos os dias, que o que realmente importa é o amor que espalhamos, o bem que praticamos e a paz que deixamos quando partimos, e é importante citar, não existe amor sem perdão.

E então, pouco importa se um dia estaremos diante de Anúbis, Azrael ou qualquer outro guardião do limiar, nosso verdadeiro tribunal será a memória dos que ficam, e nossa sentença — ou nossa salvação — será o exemplo que deixamos.

No mundo dos mortos, os dedos que nos apontaram em vida já não têm poder, mas o bem que fizemos... Ah esse segue vivo, porque, afinal, o único caminho real para a imortalidade é viver de tal forma que, mesmo ausente, sejamos presença, sempre!

​​​​​​Gilson Ribeiro

Contador, cronista, poeta e membro da Academia Maçônica de Letras e Cultura do Noroeste Paulista.