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O Distrito e sua representação na Era Digital

A cidade passou a não mais levar em conta a tradição de votar nos candidatos locais

por Ailton Bertoni
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
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Em 1993, no plebiscito nacional, fui voto vencido. Escolhi o parlamentarismo como sistema de governo. Continuo defendendo o modelo “Distrital Misto”, onde o povo pode escolher metade dos seus deputados divididos em distritos e a outra parcela por preferência ideológica. Isso possibilita, ao mesmo tempo, que tenhamos um equilíbrio entre parlamentares que defendam suas regiões específicas e outro naco que possa se dedicar às questões programáticas.

E o que temos vistos recentemente, em Rio Preto, nas eleições proporcionais, é que a cidade tem perdido sua tradição de votar e eleger representantes natos, fruto do abandono das questões locais em detrimento da polarização nacional.

Para chegar a essa conclusão, basta olhar a fotografia dos resultados eleitorais dos últimos pleitos nacionais da nossa cidade. Em 2010, teve cerca de 215 mil votos válidos e cerca de 150 mil votos para deputado estadual de Rio Preto e Região, sendo os mais expressivos: João Paulo Rillo - 63.662; Orlando Bolçone – 22.513; Luiz Fernando Lucas – 13.911; Paulo Pauléra – 10.611; Renato Pupo - 10.390; Maurin Ribeiro 8.522; Clovis Chavez – 6.847; Itamar Borges – 4.222; Sebastião Santos – 4.129; Nelson Ohno – 3.145. Nesta eleição, em que mais de 70% dos votos foram para candidatos da cidade e região, foram eleitos 3 deputados estaduais de Rio Preto (Rillo, Bolçone e Sebastião) e um da região (Itamar).

E, para, deputado federal foi a mesma toada, sendo que Edinho Araújo obteve - 62.680; Manoel Antunes - 31.153; Vaz de Lima – 25.640; Rodrigo Garcia – 15.005; apenas o saudoso Mané do Povo ficou na primeira suplência, e os outros três citados conquistaram cadeira.

Em 2014, apesar de uma leve diminuição dos votos nos nossos parlamentares, foram eleitos, havendo apenas a troca do Vaz de Lima de federal para estadual.

Já em 2018, a mudança foi significativa: Janaína Paschoal foi a mais votada da cidade, com quase 30 mil votos; Bolçone, com 20 mil; Pupo e Rillo, com 15 mil, e Vaz de Lima, com 11 mil votos. Resultado: nenhum deputado estadual de Rio Preto eleito. Federal, foi quase idêntico: Valdomiro, 23 mil votos, seguido por dois forasteiros, Eduardo Bolsonaro, 20 mil, e Joice Hasselmann, quase 18 mil. Com isso, Rio Preto não elegeu ninguém.

No último pleito nacional de 2022, a situação não mudou. O mais votado para deputado federal foi Rillo, com 22 mil, e estadual a Coronel Helena, com 32 mil. Ambos ficaram em suplências.

É visível a olho nu que a cidade passou a não mais levar em conta a tradição de votar maciçamente nos candidatos locais ou, pelo menos, da região. Talvez esse fator esteja ligado exclusivamente à forte presença das redes sociais na vida das pessoas. Isso fez com que as questões locais passaram a ter menor importância que as afinidades ideológicas.

Será que haverá alteração dessa tendência? Em outubro teremos a resposta!

Ailton Bertoni

Advogado.