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ARTIGO

O agro paulista precisa entender a força que tem

O agronegócio do estado de São Paulo responde por quase um quarto da economia paulista

por Otávio Gomes
Publicado em 07/08/2026 às 19:48Atualizado em 07/08/2026 às 19:50
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Existe uma narrativa corrente no Brasil que costuma associar, unicamente, o vigor do agronegócio à expansão das fronteiras agrícolas do Centro-Oeste. Acredito se tratar de um equívoco de perspectiva. O interior de São Paulo, historicamente o motor econômico do país, abriga uma potência no campo que opera em altíssima rotação, mas que, curiosamente, parece não ter plena consciência da própria magnitude. O agro paulista ainda não sabe a força que tem, especialmente quando lançamos luz sobre as regiões Noroeste e Alta Araraquarense.

Longe de ser apenas um coadjuvante, o agronegócio do estado de São Paulo responde por quase um quarto de toda a economia paulista. No fechamento dos dados consolidados, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor no estado atingiu marcas históricas expressivas, evidenciando que a agroindústria e a produção de base agrícola são os verdadeiros pilares da sustentabilidade financeira regional. Onde muitos enxergam apenas pastagens ou canaviais a perder de vista, existe um ecossistema conectado e tecnológico.

Se essa potência de crescimento não fosse real, o Governo do Estado não teria usado a edição mais recente da Agrishow para anunciar a liberação de um aporte de R$ 455 milhões direcionado a linhas de financiamento para produção, seguros e entrega de maquinários.

A grandiosidade da região se revela em diferentes escalas de produção. De um lado, estão usinas do setor sucroenergético, além de modernos frigoríficos de carne bovina e avicultura que abastecem os mercados internacionais mais exigentes. De outro, também com relevância, está a força de trabalho dos pequenos produtores rurais e da agricultura familiar. Eles são responsáveis pela diversificação de culturas que abastece a mesa das cidades.

De acordo com dados do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), órgão vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, a região de Barretos voltou a ocupar a liderança do Valor da Produção Agropecuária (VPA) em 2025, alcançando R$ 10,21 bilhões. A região de São José do Rio Preto, com R$ 9,67 bilhões, aparece em segundo lugar.

Para 2026, e próximos anos, o setor tem capacidade para crescer de forma muito acelerada, especialmente se houver investimento em tecnologia de precisão, transição energética sustentável e infraestrutura de armazenamento. Alguns estudos mostram que, no Noroeste Paulista e na Alta Araraquarense, investir em irrigação inteligente e converter pastos antigos em áreas de lavoura integrada, podem fazer a produtividade dobrar sem a necessidade de abrir um único hectare de nova terra.

Em paralelo, temos eventos de peso que consagram a vocação da região, como a tradicional Expo Rio Preto, que mostra sua relevância abrindo debates fundamentais sobre cana, pecuária de corte e leite, apicultura e novas tecnologias para o campo. O que precisamos é unir forças para nos organizar e buscar recursos, gerando empregos e renda, e redescobrindo o nosso potencial.

Otávio Gomes

Engenheiro Civil e Conselheiro Deliberativo da Associação Paulista dos Municípios – APM.